FRATERNIZAR – A semana mais criminosa da história da humanidade – por Mário de Oliveira

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As igrejas cristãs chamam-lhe “santa” e “maior”

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As cúpulas do cristianismo chamam-lhe “Semana Santa”, com maiúsculas e tudo. Saibam que é a semana mais criminosa da história da humanidade. A semana em que, em Abril do ano 30 desta nossa era comum, os três poderes em uníssono, mataram Jesus, o filho de Maria, na cruz do império de turno, então, o romano, para, com esse tipo de morte, o constituírem “maldito” de Deus, no dizer da Bíblia do judaísmo, a tal que, ao tornar-se judeo-cristã, passou a chamar-se “Bíblia Sagrada”, quando na verdade é a mais perversa de todas as bibliotecas, de certo modo, a mãe da generalidade de todas as bibliotecas, nomeadamente, das que insistem em identificar o Poder vencedor com Deus e Deus com o Poder vencedor, bem como os agentes do Poder com os representantes de Deus na terra, aos quais, por isso, todos os povos devem obediência e reverência, sob pena de excomunhão e de assassinato efectivo ou simplesmente simbólico, este ainda mais mortífero e sádico que aquele.

Esta é também a “semana maior”, mas do crime organizado, disfarçado de santidade, como tudo o que tem a marca do cristianismo. Em Jesus, é toda a humanidade, de olhos da mente abertos, que foi paradigmaticamente presa, julgada, condenada à morte, executada na cruz e declarada maldita, objecto, por isso, de todos os desmandos, de todas as humilhações, de todas as arbitrariedades do Poder e respectivas cúpulas. Deste modo, Jesus constituiu-se, para sempre, no alfa e no ómega de toda a humanidade, a de antes e a de depois dele, porque com ele, por ele e nele, o Poder foi, pela primeira e última vez, na história, desmascarado e passou a ser visto como efectivamente é, o pecado estrutural do mundo, a mentira estrutural e cientificamente organizada, o assassínio estrutural e cientificamente organizado. Nunca antes de Jesus e nunca depois de Jesus, homem algum viu o que Jesus vê. E, se algum outro, alguma vez viu, nunca se atreveu a dizê-lo, olhos nos olhos, ao Poder e suas cúpulas. Jesus é o único que vê e age em consequência. De imediato, viu-se cercado de ódio por todos os lados, inclusive, por parte daquele grupo de 12 homens que ele próprio havia escolhido, um a um, entre os muitos que andavam com ele, e com o qual mantinha uma relação de intimidade e de abertura total. Mas que, perante a postura política de Jesus, acabou por se sentir interiormente perturbado com ele, e tratou logo de arranjar maneira de se ver livre dele. É este mesmo grupo dos Doze que, na semana que veio a ser derradeira de Jesus, decide traí-lo, desfazer-se dele e entregá-lo aos chefes máximos do judaísmo, para, com esta entrega, merecer de novo a confiança deles e sobreviver à morte crucificada do seu ex-mestre.

O grupo dos Doze, ao contrário do que mentirosamente sempre nos têm feito crer, o cristianismo e todas as suas igrejas cristãs, qual delas a mais perversa, corrupta, mentirosa, hipócrita, comerciante e mafiosa, era, então, um ambicioso grupo político, organizado ao modo dos partidos políticos da actualidade, que tinha por objectivo último, a tomada do Poder e, com ele, expulsar definitivamente do seu chão, os romanos, derrubar o império e dominar o mundo, como outros tantos braços políticos armados de Deus, o Poder vencedor. Quando os seus membros, liderados por Simão Pedro, se apercebem que Jesus recusa ir por aí e que vê o Poder vencedor, não como Deus, o dos seus antepassados, mas como o inimigo dos seres humanos e dos povos – dito em linguagem mítica, o diabo/tentador – afastam-se gradualmente dele, até o entregarem aos seus chefes, os sumos-sacerdotes. A morte na cruz, sem que, entretanto, Deus, o dos seus antepassados, interviesse a seu favor e o livrasse, faz de Jesus, aos olhos deles, o maldito dos malditos para sempre. Aliás, só com uma morte assim, havia a garantia absoluta de que a humanidade permaneceria cega, relativamente ao Poder e ao Deus Poder, e que jamais chegaria a ver o que o Jesus havia visto. É por isso que, por mais rebeliões e revoluções armadas que aconteçam, na história, os povos acabam sempre por reconhecer no vencedor de cada uma delas, o novo Poder, o novo rosto de Deus na terra, ao qual voltam a jurar obediência e reverência. E, assim, de geração em geração. De modo que só mesmo a revolução antropológica-teológica de Jesus mudará a História e a humanidade, porque é a única que faz os povos a mudar de ser e de Deus!

Foi para que semelhante cegueira, antípoda da Luz que é Jesus, se perpetuasse na história, que, após a sua morte crucificada, o grupo dos Doze não perdeu tempo e correu a fundar o chamado judeo-cristianismo, a pretexto de que Deus, o Poder, havia ressuscitado Jesus e, com isso, o havia constituído Cristo/Poder invicto, cujo reino jamais teria fim. Sucede, porém, que toda esta sua movimentação é obra do Poder, o mesmo que matou Jesus na cruz e fez dele o maldito. É por isso que, no lugar de Jesus, o crucificado pelo Poder e seu Deus, o mesmo grupo, liderado por Pedro, colocou o mítico Cristo vencedor e invicto, o Poder dos poderes, o crucificador dos povos, e cujo rosto primeiro na história do cristianismo, foi o imperador Constantino, e, hoje, em versão religiosa, é o papa de Roma, sucessor de Constantino e de Pedro, o chefe dos mesmos que traíram, entregaram, negaram Jesus, e, em versão laica, é o Dinheiro, concretamente, toda essa gigantesca engenharia financeira sem rosto e sem nome que, dia e noite, comanda, electronicamente, as nossas vidas e faz gato-sapato de todas, todos nós, ainda que de modos distintos, tanto as minorias privilegiadas, como as maiorias humilhadas.

O meu Livro, JESUS SEGUNDO JOÃO, Seda Publicações – porventura, o estudo antropológico-teológico mais bem conseguido na história da humanidade – revela tudo isto ao pormenor, ao mesmo tempo que nos revela, também, como podemos sair do inferno que é este tipo de mundo do Poder, e darmos corpo, finalmente, a uma humanidade outra, fundada em e com Jesus, a pedra que os agentes do Poder rejeitaram, mas que, com a sua morte crucificada, se tornou na pedra angular de uma humanidade outra, constituída por seres humanos vasos comunicantes, organismos vivos, política praticada, nenhum poder e nenhum agente de poder. As igrejas cristãs odeiam este Livro e só não o atacam publicamente, para não lhe darem publicidade. Mas como são cegas e guias cegas, desconhecem que, quando os agentes do poder se calam, gritam, até as pedras da calçada. E a verdade é que este nosso terceiro milénio acolhe e prossegue a Luz que é JESUS, a quem Deus que nunca ninguém viu, dá razão e reconhece como o seu filho muito amado – é o que quer dizer a expressão jesuânica, “ressuscitar dos mortos” – ou simplesmente não será.

Escolher é preciso. Escolher Cristo/ cristianismo, é escolher o Poder, a mentira, o assassínio, a humilhação. Escolher Jesus/ o ser humano pleno e integral, é escolher o caminho, a verdade e a vida. Saibamos, entretanto, que se escolhemos ser outros Jesus, arriscamo-nos a ser historicamente crucificados/ ostracizados como ele foi. Pelo menos, enquanto o Poder continuar aí a ser visto como Deus e tiver as minorias privilegiadas e as maiorias empobrecidas e humilhadas a jurarem-lhe obediência e reverência, nas pessoas dos bispos/ pastores das igrejas cristãs e dos demais agentes do Poder, uns e outros, os maiores pecadores e os maiores criminosos do planeta terra. Pelo menos, no lúcido e irrefutável ver-dizer de Jesus e do seu Deus Abba-Mãe que nunca ninguém viu.

 

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