A Liberdade, a cultura, a democracia e a justiça social são as nossas paixões.

Máximo Lisboa, Edmundo de Bettencourt, Renato Ribeiro, Alfredo Margarido, Jacques-Henry Lévesque (artigo sobre Alfred Jarry), Rodolfo Alonso, Henrique Lima Freire, Manuel de Castro, Llorenç Vidal e Angel Crespo. A fechar o caderno, Carlos Loures publica o artigo “Aos ladrões de fogo. Poesia, Surrealismo, Controle”, título inspirado em Arthur Rimbaud, citado na epígrafe: Donc le poète est vraiment voleur de feu . O texto assume um carácter de manifesto contra os poetas distraídos da nossa república das letras: viciados no ópio da intriga literária, vamos encontrar grande maioria dos poetas […] No absurdo palco da nossa arte actual, o espectáculo passa-se ao nível da mais reles opereta (p.51). Não são esquecidos alguns ataques feitos quer aos surrealistas, quer ao Surrealismo: Confundindo precipitadamente delírio com anarquia mental, revolta com excentricidade, pureza e renúncia com depravação moral , o Surrealismo é por estes senhores comodamente 3Idem, ibidem. classificado como irresponsável cabotinismo (p. 51). E termina com o incitamento aos “verdadeiros” poetas, outros tantos seguidores de Prometeu na construção duma utopia julgada possível e numa perspectiva que sublinha a questão de fundo, isto é, a problemática social e os direitos devidos à Humanidade: Aos Poetas, detentores da mágica chave do Futuro, ladrões do sagrado fogo da Verdade, pede-se a implantação duma urgente antropolatria que possibilite um respeito absoluto pela integridade e pela dignidade do homem, e a satisfação das suas imanentes solicitações: o Amor, o Desejo, a Liberdade (p. 52). Com este artigo termina a aventura da Pirâmide, ainda que aqui se anuncie um próximo número com a colaboração de Maria Helena Vieira da Silva, Maria Rosa Colaço, Natália Correia, António José Forte, José Manuel Simões e Isidore Ducasse (Comte de Lautréamont), o que não veio a verificar-se, como se sabe. E num outro lugar, Carlos Loures viria a esclarecer alguns aspectos que se prendem com a organização deste terceiro número, esclarecimentos que atestam, já então, algum distanciamento, por parte dos dois organizadores, e uma certa tensão entre os membros do grupo, como se depreende do seu testemunho explícito: O número 3, publicado em Dezembro de 1960, estava já quase totalmente esvaziado do inicial conteúdo surrealizante. É, no entanto, o mais autêntico, pois é o único em que ninguém nos ‘segurou a mão’. Aliás, foi já realizado fora do grupo do Gelo, com gente que parava uns metros adiante, no Café Restauração 4.