POESIA AO AMANHECER – 425 – por Manuel Simões

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CARLOS ALBERTO DE SOUSA FERNANDES

      ( 1954 )

            DIZER O MAR DEPOIS

(fragmento)

            1

            o mar é verde. dizias.

            eu mastigava o silêncio feito desejo.

            naufragava no turvo oceano

            da posse. crescia-me o desejo

            e a vontade de parar o tempo.

            matar o futuro. sorver o fruto

            sem incorrer no pecado.

            sem destruir a vida.

 

            (…)

            3

            depois vieram receios.

            o desejo absurdo de que o amanhã fosse

            igual a ontem. a vergonha após a intimidade

            das palavras e dos actos.

            ontem foi. hoje o mar é verde. digo:

            o passado é um pesadelo vivido

            após um almoço nefasto.

 

            (de “Poetas Contemporâneos da Ilha da Madeira”)

Publicou os primeiros poemas no “Suplemento 2000”. A sua produção encontra-se dispersa por várias antologias, volumes colectivos ou revistas: “Ilha” (1975), “Da Ilha que somos” (1977), “Poet’Arte ‘90” (1990), “Vers’Arte 91” (1991), “Ilha 4” (1994).

 

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