CARLOS ALBERTO DE SOUSA FERNANDES
( 1954 )
DIZER O MAR DEPOIS
(fragmento)
1
o mar é verde. dizias.
eu mastigava o silêncio feito desejo.
naufragava no turvo oceano
da posse. crescia-me o desejo
e a vontade de parar o tempo.
matar o futuro. sorver o fruto
sem incorrer no pecado.
sem destruir a vida.
(…)
3
depois vieram receios.
o desejo absurdo de que o amanhã fosse
igual a ontem. a vergonha após a intimidade
das palavras e dos actos.
ontem foi. hoje o mar é verde. digo:
o passado é um pesadelo vivido
após um almoço nefasto.
(de “Poetas Contemporâneos da Ilha da Madeira”)
Publicou os primeiros poemas no “Suplemento 2000”. A sua produção encontra-se dispersa por várias antologias, volumes colectivos ou revistas: “Ilha” (1975), “Da Ilha que somos” (1977), “Poet’Arte ‘90” (1990), “Vers’Arte 91” (1991), “Ilha 4” (1994).

