Como simples aves damos as asas a caminho do sol para fugir às lágrimas que a terra espreme
A luz incendeia a vontade de fugir mas a mão serena abre o coração à esperança onde a angústia cresce por entre músicas perdidas e restos de flores
Eu continuo o caminho dos lábios que deixaram de suspirar e dos olhos que pararam de girar confundidos entre lágrimas e risos
Eu sigo o longo caminho das sombras onde as plantas não falam nem as fontes nem os pássaros
Mas a mão apertada mesmo que incrédula murmura baixinho que os prados se estendem a nossos pés
As brandas ondas do mar deslizam suavemente sobre a areia cobrindo de espuma o teu corpo sonâmbulo que à noite desperta por entre o labirinto dos meus sonhos
E pelos claustros do vento impaciente os cabelos de fogo vencem a idade em que o coração treme sem casa para morar
Ilustração – Quadro de Adão Cruz

