“A tua mão” – poema de Adão Cruz

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Como simples aves damos as asas a caminho do sol para fugir às lágrimas que a terra espreme

A luz incendeia a vontade de fugir mas a mão serena abre o coração à esperança onde a angústia cresce por entre músicas perdidas e restos de flores

Eu continuo o caminho dos lábios que deixaram de suspirar e dos olhos que pararam de girar confundidos entre lágrimas e risos

Eu sigo o longo caminho das sombras onde as plantas não falam nem as fontes nem os pássaros

Mas a mão apertada mesmo que incrédula murmura baixinho que os prados se estendem a nossos pés

As brandas ondas do mar deslizam suavemente sobre a areia cobrindo de espuma o teu corpo sonâmbulo que à noite desperta por entre o labirinto dos meus sonhos

E pelos claustros do vento impaciente os cabelos de fogo vencem a idade em que o coração treme sem casa para morar

Ilustração – Quadro de Adão Cruz

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