A poucos dias das comemorações dos 40 anos do 25 de Abril, podemos pensar no que acreditávamos na altura e nas desilusões que sent
imos no momento actual.Todos temos que nos agarrar a alguma coisa em que acreditar. Uma pessoa sem perspectivas afunda-se nos problemas do dia a dia e não consegue sair da espiral que a vai puxando para baixo.
Quando no tempo da ditadura se lutava e tentava, mesmo por pequenas acções, contribuir para o seu derrube, era porque se acreditava nessa possibilidade. Quando os capitães de Abril partiram no dia 25 de Abril para a aventura do possível confronto, a tudo dispostos, era porque acreditaram que tinha hipóteses de alcançarem os seus objectivos.
Quando, nos tempos que se seguiram, a voz foi dada a todos os cidadãos, eles expressaram os seus desejos, lutaram por eles e viram alguns alcançados.
Passados 40 anos, muito mudou em muitas áreas – educação, saúde, direitos … Mas, chegados aqui, vemos muito do alcançado andar para trás. Verificamos que nada do que se ganhou é um facto garantido. Outros que não nós, impõem-nos medidas económicas que são aceites pelos governos (cujos recursos são aplicados de forma desigual, conforme a classe social – a uns baixando as reformas ou os ordenados e retirando subsídios, a outros perdoando as dúvidas ultrajantes dos bancos onde fizeram trafulhices) e trazem como consequência retrocessos em todas as áreas.
Por agora, vem a propósito a frase de Jack Kerouac “as pessoas suficientemente loucas para acreditar que podem mudar o mundo, são aquelas que o mudam”. Sejamos loucos!
