HOLLANDE APAGA-SE FACE A VALLS: MUDANÇA DE REGIME – REMODELAÇÃO OU GOLPE DE ESTADO?, por RAOUL FOUGAX

Selecção e tradução de Júlio Marques Mota

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 Hollande apaga-se face a VALLS: MUDANÇA DE REGIME

Remodelação ou golpe de Estado?

Valls + Hollande

 

 

 

 

 

 

 

Raoul Fougax – Revista Metamag

13/04/2014 

 

Os Franceses não são  constitucionalistas muito brilhantes. Têm por vezes dificuldade em distinguir os equilíbrios do executivo. De resto a Constituição nunca foi clara sobre este ponto. Um regime presidencial onde o primeiro ministro define e conduz  a política da nação, é uma grande coisa, não importa  qual.

No âmbito de uma coabitação clássica em que  o partido que apoia o presidente é batido pela oposição, a eleição dos deputados, mais recente, apaga  um pouco  a  eleição presidencial e dá uma legitimidade nova e por conseguinte uma força muito maior ao  primeiro ministro. O presidente transformado  em rei  a viver no dolce farniente   refaz-se pelo seu lado  da sua saúde política.

A situação actual é inédita. É uma espécie de coabitação de má vontade no mesmo campo. O presidente aceita um primeiro-ministro de que não gosta e apaga-se face à política deste último. Nós já não estamos realmente na Vª  República e não estamos ainda  na VIª . A esperança de François Hollande, é que Manuel Valls  falhe   e que a popularidade do primeiro ministro se desmorone  e permita ao presidente subir, pelo princípio dos vasos comunicantes. De  momento, estamos bem longe disso. Está-se num caso como nunca se viu até agora.

De acordo com uma sondagem, a quota de popularidade de François Hollande ainda continuou a cair em Abril  e em cerca de  cinco pontos, para  os  18%, o nível mais baixo  desde a chegada do chefe do Estado ao Eliseu,  há dois anos. O novo primeiro-ministro Manuel Valls recolhe quanto a ele 58% de opiniões favoráveis. 82% das pessoas interrogadas dizem-se desagradadas  com a  acção do presidente francês. François Hollande, que era creditado de 61% de satisfeitos logo  após a sua eleição em Maio de 2012, passa pela primeira vez sob a barra dos 20%, precisa o inquérito de IFOP publicado no Journal du Dimanche.

Trata-se da mais forte popularidade nunca registada para um segundo primeiro ministro da presidência da Vª  República  e no início do mandato. A título de comparação, Dominique de Villepin em Junho de 2005 registava um índice de popularidade de 44% e Laurent Fabius de 29% em Agosto de 1984. Este  acabava então de  suceder a um primeiro- ministro de François Mitterrand, Pierre Mauroy.

Se excluirmos  os períodos de coabitação, uma  tão grande  diferença  entre as quotas de popularidade de um presidente e de um Primeiro- ministro nunca foi registada  sob esta República. Mesmo remodelando o governo após as municipais catastróficas, François Hollande continua a  perder em popularidade

Nada parece por conseguinte poder salvar François Hollande. Se este  não se decide, após as europeias   a uma dissolução, será marginalizado e com ele, o que é muito mais grave, será a função presidencial igualmente .

 

http://www.metamag.fr/metamag-1965-Hollande-s%E2%80%99efface-devant-Valls–changement-de-regime.html

 

 

2 Comments

  1. Professor Júlio Mota,

    Gostei muito de ler este seu apontamento: muito interessante e revelador das encruzilhadas em que se encontra o centro-esquerda, e a esquerda, francesa e europeia.

    Li também o texto da sua aula de 23/05/2012, publicado na íntegra neste blog. Tomei notas e compreendi melhor um conjunto de aspectos que me escapou quando fui seu aluno em 1998. Pensei também fazer-lhe uma ou duas perguntas: tem endereço de email?

    Melhores cumprimentos,

    João Pedro

  2. * François Holande perdeu em grande na jogada com a Merkel -creio toda a Europa estar suspensa ,por um lado pelas Eurpeias ,por outro pelo rumo de António Valls *-Maria

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