– Senhor presidente, onde estava no 25 de Abril de 1974?
– Estava em Beja, no RI-3, como oficial de piquete, aspirante miliciano. Tinha sido incorporado
compulsivamente no exército, ao abrigo de lei especial aplicável aos que eram chamados “politicamente suspeitos”, depois de suspenso da Universidade de Coimbra (Faculdade de Direito), estava eu já no último ano da licenciatura, com 22 anos de idade. E por directivas superiores do PAIGC, enquanto militante na clandestinidade, não deveria “dar o salto”, mas permanecer na tropa até novas ordens. Mas por isso estava mais ou menos por dentro do que poderia e viria a acontecer.
Foi esta a resposta dada pelo presidente da República de Cabo Verde, Jorge Carlos Fonseca. Nessa entrevista, considera que o 25 de Abril foi também, numa medida modesta, uma conquista sua. Pouco tempo antes tinha sido expulso da Universidade de Coimbra, impedido de se transferir para outra, e incorporado compulsivamente no exército, por causa da sua participação nas lutas académicas, enquanto desenvolvia actividades clandestinas no seio do PAIGC.

