O 25 DE ABRIL DE 1974 VISTO PELOS CINEASTAS – “A LEI DA TERRA” por Clara Castilho

 

A Lei da Terra (1977) é um documentário português de longa-metragem, um filme colectivo da cooperativa Grupo Zero. É um filme militante que aborda o processo da Reforma Agrária no Alentejo, durante o PREC.

Nele, o processo da reforma agrária no Alentejo é visto através de uma análise das estrutura sociais e da luta de classes, culminando com a ocupação de terras pelos camponeses e pela tentativa de criação de novas relações laborais e de propriedade. Na aldeia Santa Catarina, no Alto Alentejo, o povo discute a sua vida, os seus valores, as suas necessidades. Um dos pontos de encontro é o curso de alfabetização. Este povo nem o nome sabia assinar, pois a sua dura vida não permitia a ida à escola.

Face à sabotagem económica dos patrões e antigos proprietários, os trabalhadores organizam-se em sindicatos, reclamam emprego e salários justos. Procuram estabelecer uma lei revolucionária: «A terra a quem a trabalha!». Organizam-se em cooperativas e unidades colectivas de produção. Reagem os agrários expropriados, apoiando-se nos intermediários, nos agricultores do Norte e nos seareiros do Sul.

A realização é Alberto Seixas Santos e Solveig Nordlund, com a colaboração de Joaquim Furtado, Serras Gago, Lia Gama, Teresa Caldas. A imagem é de Acácio de Almeida, José Luís Carvalhosa, Leonel Efe. A realização e a produção são da cooperativa Grupo Zero. Este filme recebeu no Festival Internacional de Cinema de Leipzig (1977) uma menção honrosa na secção Películas do Mundo pela paz do Mundo. Lembremos que Alberto Seixas Santos apresentou em competição no Festival de Berlim de 1975 a sua primeira longa-metragem, ”Brandos Costumes”, rodada entre 1972 e 1974, a partir de um argumento escrito em parceria com os escritores Luísa Neto Jorge e Nuno Júdice.

 

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