Programa do MFA : “A liberdade de expressão e pensamento sob qualquer forma. Abolição da censura e exame prévio”.

Libertado o povo da opressão, se se organizou em termos laborais, procurando fugir à vida pobre e desumana a que estava confinado, também avançou para tomar as rédeas do seu destino.
Uma delas foi a organização em partidos políticos, agora sem o medo da repressão.
Os estudantes organizaram-se e exigiram um ensino livre e de maior qualidade.
No dia 30 de Maio de 1975, depois do decreto serviço cívico estudantil, inscreveram-se 11 814 alunos, para colaborarem nesta iniciativa., que correspondia a um desejo do povo de se cultivar, de aprender as letras, a assinar o nome. Mais de 30% da nossa população era analfabeta!
Nas campanhas de alfabetização, estas em colaboração com o MFA, eram dadas aulas duas vezes ao dia, fim da tarde e noite. As pessoas queriam muito sair da ignorância e aproveitar a oportunidade. Os estudantes ensinavam, os trabalhadores traziam-lhes o alimento e davam-lhes a guarida.
A população avançou para obter casas mais dignas, organizando associações de moradores, onde as mulheres foram as grandes impulsionadoras – “Casas sim, barracas não!” A ocupação de casas vazias, levou à reflexão sobre a necessidade de arranjar dar casas com melhores condições.
O SAAL – Serviço de Apoio Ambulatório Local desempenhou um papel importantíssimo na reorganização dos novos bairros. Diz José António Bandeirinha, na sua tese de doutoramento: “quando em 27 Outubro de 1976 o SAAl passou para as autarquias, estavam em actividade 169 operações em todo o país, que envolviam 41 665 famílias de moradores pobres. Encontravam-se em construção 2 259 fogos e estava iminente o arranque de mais 5 741”(O processo SAAL e a arquitectura de Abril de 1974).
Decorrente destas iniciativas, as mulheres organizaram-se para dar a seus filhos locais mais dignos de aprendizagem, com o início das creches.
Uma das grandes mudanças foi a chegada da energia eléctrica a lugares que nem com ela sonhavam. Isso veio fazer toda a diferença, sobretudo na vida das mulheres, pois possibilitou, assim que se conseguiu um dinheirinho, adquirir um frigorífico e poder, desde modo, conservar alimentos, mudando o tipo de alimentação que era possível fazer no interior do país, com os benefícios consequentes a nível de saúde.
Lembremos alguns índices indicativos da vida quotidiana de então e os de agora
1974 Natalidade 2014
171 979 8 9841
Mortalidade infantil
37,9 3,4%
Alojamento de água canalizada
47% 99%
Alojamento com esgotos
60% 99%
Alojamento com instalações sanitárias
58% 99%
Nº crianças no pré-escolar
8% 89%
Pessoas com ensino superior
0.9% 14,8%
Taxa de analfabetismo
26% 5%
Acho que os cidadãos portugueses muito fizeram. Que não párem!

Quem dera que no Brasil,nesta chamada “potência”, tivéssemos os mesmos índices de saneamento básico e de educação que têm agora os portugueses, brava Clara Castilho.Estamos muito longe disso ! E aqui não se pode culpar a “austeridade” por coisa alguma, mas à falta de planejamento e ao desperdício, além do que a nossa presidente resolveu chamar de “malfeitos” . Crescimento é isto: crescimento é bem estar social e educação. Parabéns, Portugal!
Lá como cá,a luta precisa continuar.
abraço solidário