Exma Senhora Presidente da Assembleia da República
O Manifesto dos 74 foi apresentado, por muita gente foi lido, por muitas mais gente foi discutido como se verificou pelas criticas feitas por pessoas que claramente o não tinham lido sequer. Para além deste detalhe e ao nível das autoridades responsáveis pela gestão da crise, de Bruxelas a Lisboa, assistiu-se a uma barragem de insultos, de provocações baixas ou mesmo de calúnias que tiveram o mérito de esclarecer, para quem tivesse dúvidas, da dignidade intelectual de quem as proferiu. Nenhuma crítica sólida se ouviu, nenhum argumento seriamente rebatido se leu, apenas fumaça bem suja se viu. Lamentável que a classe política se porte assim.
Se no caso presente só consigo encarar estes insultos como maldade, profunda maldade e arrogância, a esconder uma bem mais profunda ignorância dos mecanismos económicos, admito porém que haja muitos dos nossos eleitos que não se inserem neste registo, mas sim num outro bem diferente: o de tomarem posições de acordo com os produtos manipulados que a ideologia dominante lhes fornece sem que tenham consciência da referida manipulação.
Num registo de prática intelectual muito diferente, a oposta, inserem-se muitos intelectuais e economistas que se debruçam sobre a questão da crise europeia, dita crise da dívida soberana. Destes, sublinho hoje Domenico Mario Nuti, um dos subscritores estrangeiros do Manifesto dos 74 ainda não publicitados, um homem que esteve muito próximo de Jacques Delors e durante anos na Comissão Europeia. De Domenico Mario Nuti venho respeitosamente disponibilizar a V.ª Ex.ª e aos líderes parlamentares da nossa Assembleia da República dois dos seus textos que estão estreitamente relacionados com a matéria do Manifesto dos 74 e que não têm nada a ver com o bombardear da demagogia a que todos nós, e os nossos eleitos igualmente, estamos diariamente a ser sujeitos. Creio que com a sua leitura se evitarão muitas dúvidas sobre o texto do Manifesto e que muitos dos eleitos que clamam contra o Manifesto o possam passar a olhar de uma forma bem diferente daquela que esteve na base dos insultos acima referidos.
Permita-me uma indicação de detalhe: a sequência de leitura deve ser a seguinte:
1. O poder de fogo do BCE
2. Padre- uma reflexão adicional sobre o O poder de fogo do BCE.
Certo da sua atenção queira aceitar as minhas desculpas pela liberdade tomada assim como as minhas mais cordiais saudações académicas.
Júlio Marques Mota
Professor Auxiliar Convidado na situação de aposentado
Faculdade de Economia
Universidade de Coimbra
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Obrigada -Maria
As personalidades que, só agora, acordaram tinham obrigação de tê-lo feito há muito tempo. Nunca foram vistos a avisar dos riscos que a População portuguesa iria sofrer com a entrada no “euro”. e na voragem capitalista que dele só tiraria vantagens especulativas. Alguém, minimamente informado e formado, podia aceitar, como há muitos anos o fizeram, o conglomerado político, económico e financeiro que dando pelo nome de “união europeia” nada mais é que o IVºReich. Há última hora é bem difícil fugir às chamas do inferno que ajudaram a construir. CLV