MURILO MENDES
( 1901 – 1975 )
AS RUÍNAS DE SELINUNTE
Correspondendo a fragmentos de astros,
A corpos transviados de gigantes,
A formas elaboradas no futuro,
Severas tombando
Sobre o mar em linha azul, as ruínas
Severas tombando
Compõem, dóricas, o céu largo.
Severas se erguendo,
Procuram-se, organizam-se,
Em forma teatral suscitam o deus
Verticalmente, horizontalmente.
Nossa medida de humanos
– Medida desmesurada –
Em Selinunte se exprime:
Para a catástrofe, em busca
Da sobrevivência, nascemos.
(de “Siciliana”)
Poeta, é considerado como uma das vozes mais significativas da corrente católica do Modernismo brasileiro. Viveu em Itália, onde foi professor, publicando em italiano o livro “Ipotesi” (1977). Da sua vasta produção poética salientamos: “Poemas” (1930), “História do Brasil” (1932), “Tempo e Eternidade” (1935), “As Metamorfoses” (1944),”Poesia Liberdade” (1947),”Tempo Espanhol” (1959), “Poliedro” (1966).

