POESIA AO AMANHECER – 435 – por Manuel Simões

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                                                   MURILO MENDES

                                                       ( 1901 – 1975 )

            AS RUÍNAS DE SELINUNTE

 

Correspondendo a fragmentos de astros,

A corpos transviados de gigantes,

A formas elaboradas no futuro,

Severas tombando

Sobre o mar em linha azul, as ruínas

Severas tombando

Compõem, dóricas, o céu largo.

Severas se erguendo,

Procuram-se, organizam-se,

Em forma teatral suscitam o deus

Verticalmente, horizontalmente.

 

Nossa medida de humanos

– Medida desmesurada –

Em Selinunte se exprime:

Para a catástrofe, em busca

Da sobrevivência, nascemos.

 

(de “Siciliana”)

Poeta, é considerado como uma das vozes mais significativas da corrente católica do Modernismo brasileiro. Viveu em Itália, onde foi professor, publicando em italiano o livro “Ipotesi” (1977). Da sua vasta produção poética salientamos: “Poemas” (1930), “História do Brasil” (1932), “Tempo e Eternidade” (1935), “As Metamorfoses” (1944),”Poesia Liberdade” (1947),”Tempo Espanhol” (1959), “Poliedro” (1966).

 

 

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