CARLOS DRUMMOND DE ANDRADE
( 1902 – 1987 )
ENTRE O SER E AS COISAS
Onda e amor, onde amor, ando indagando
ao largo vento e à rocha imperativa,
e a tudo me arremesso, nesse quando
amanhece frescor de coisa viva.
Às almas, não, as almas vão pairando,
e, esquecendo a lição que já se esquiva,
tomam amor humor, e vago e brando
o que é de natureza corrosiva.
N’água e na pedra deixa gravados
seus hieróglifos e mensagens, suas
verdades mais secretas e mais nuas.
E nem os elementos encantados
sabem do amor que os punge e que é, pungindo,
uma fogueira a arder no dia findo.
(de “Claro Enigma”)
É um dos grandes nomes da moderna poesia brasileira. Inúmeros são os temas da sua poesia, como a solidão do indivíduo, a terra natal (Itabira), o confronto social ou o itinerário amoroso. Da sua vastíssima produção recordamos: “Alguma Poesia” (1930), “Sentimento do Mundo” (1940), “A Rosa do Povo” (1945), “Claro Enigma” (1951), “Impurezas do Branco” (1973), “Amar se aprende amando” (1985) e “Amor Natural” (póstumo, 1992). Alguns poemas são particularmente conhecidos: “Quadrilha”, “No meio do caminho” ou “Os mortos de sobrecasaca”.

