EDITORIAL – POBREZA INFANTIL: O ROUBO DOS SONHOS, DAS ESPERANÇAS E DOS DIREITOS

A pobreza é a realidade quotidiana de milhões de crianças da Europa. 

logo editorialAs crises económicas trouxeram o desemprego, mas também atingiram o sistema social (educação, saúde, cultura…). As crianças são desalojadas das casas, vivem sem água corrente e electricidade, têm piores condições na escola, abandonam-na, ficam mais doentes porque mais stressadas e com menos consultas, sentem-se socialmente excluídas.

São já cerca de 27 milhões de crianças na Europa que já se encontram em situação de exclusão social ou que para lá caminham e as medidas económicas apontam para um aumento. Mesmo nos países mais ricos, a distância entre ricos e pobres continua a crescer.

A riqueza de um país só beneficia automaticamente os mais desfavorecidos da sociedade se for redistribuída através das oportunidades de emprego ou por benefícios e planos, directos ou indirectos ,de que as crianças beneficiem.

Hoje, milhares de pessoas, crianças incluídas, dependem atualmente da ajuda de instituições para se alimentarem. Nas grandes cidades, há muitos casos em que as refeições oferecidas são as únicas do dia. As crianças vão à escola nas férias, para terem uma refeição por dia.

O cálculo da taxa de risco de pobreza e exclusão social em Portugal atingia uma taxa de 25,3% em 2012, de 28,1% entre os menores de 18 anos.

Ser uma criança pobre, pelos critérios da UNICEF, significa não ter dinheiro para uma alimentação equilibrada ou não poder comprar roupas nem calçado, não ter os mesmos equipamentos que as crianças com quem lida, viver numa casa sobrelotada, não ter espaço para estar tranquila a fazer os deveres, ter poucas hipóteses de brincar num parque não vandalizado ou de participar em actividades extracurriculares como praticar um desporto ou aprender uma língua estrangeira.

Uma resposta frequente à pergunta “O que queres ser quando fores crescido? é dada em termos de bens a adquirir: “ter uma casa com piscina”. Isto dá a ideia dos valores que são passados como objectivos a alcançar…E como, mesmo que legítimos, poucos serão os que a isso acederão. Ficando pelo caminho, tudo  o resto que é importante.

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