A Liberdade, a cultura, a democracia e a justiça social são as nossas paixões.
Não vamos analisar toda a obra de Alves Redol, muito extensa para que a isso me atreva, mesmo na minha qualidade de leitor, mas atrevemo-nos a discorrer um pouco sobre um dos seus romances mais importantes e mais exemplificativos do conceito de arte do Movimento Neo-Realista, «Os Reinegros»; no entanto, antes de desta falarmos, voltemos à que se viria a tornar histórica conferência de Alves Redol, em Vila Franca de Xira, sobre «Arte», e histórica por ter estado na origem de uma outra polémica em que Alves Redol não poderia deixar de ter papel activo, que ficará conhecida como a polémica com os presencistas, em que estes defendiam que a arte não tinha qualquer papel a desempenhar como plataforma para a consciencialização das massas trabalhadoras, eram assim os defensores da arte pela arte, enquanto os neo-realistas, numa época em que a Guerra Civil de Espanha ocupava o dia-a-dia dos jovens neo-realistas que, no testemunho de Mário Dionísio no prefácio aos «Poemas Completos», de Manuel da Fonseca, nos informa de que chegavam a juntar-se sobretudo «Para saber, hora a hora, como iam as coisas em Espanha.», defendiam, nomeadamente, servindo-me das palavras de Alves Redol: