JOSÉ PAULO PAES
( 1926 – 1998 )
L’AFFAIRE SARDINHA
O bispo ensinou ao bugre
Que pão não é pão, mas Deus
Presente em eucaristia.
E como um dia faltasse
Pão ao bugre, ele comeu
O bispo, eucaristicamente.
(de “Novas Cartas Chilenas”)
A UM COLEGA DE OFÍCIO
você não gosta do que eu escrevo
eu até gosto do que você escreve
talvez eu não seja tão exigente quanto você
(de “A poesia está morta, mas juro que não fui eu”)
Poeta, ensaísta e tradutor. Aproxima-se da poesia concreta, condensada na forma de epigrama satírico e irónico. No primeiro poema, extraído de “Novas Cartas Chilenas” (1954), figura o apólogo do bispo português Sardinha, devorado no séc. XVI pelos índios caetés que tinha ido catequizar. O segundo texto pertence ao volume “A poesia está morta mas juro que não fui eu” (1988).

