PRAÇA DA REVOLTA – As árvores e a floresta – por Carlos Loures

Eugène Delacroix - La Liberté guidant le peuple

Um antifascista que depois de Abril de 74 aderiu ao PS, boa pessoa e um lutador pela democracia no País e no interior do seu partido, escutava pacientemente as minhas diatribes contra os políticos «de direita», entre os quais metia as figuras gradas do “socialismo”, e quando me apanhava cansado tentava que eu visse as coisas «de uma forma mais realista»: Estás no meio de meia-dúzia de pinheiros e julgas-te no pinhal de Leiria. 40 anos passados, a história parece dar-lhe razão… embora a Razão esteja do meu lado.

Ao ver os comícios do PS, do PSD. do CDS arrastando multidões de pessoas comuns, interrogamo-nos se afinal os crimes que, alternadamente, PS e PSD têm cometido contra os interesses do povo português, são sentidos pelas vítimas. Como é possível haver 30% de eleitores dispostos a reeleger este bando que nos assaltou? Como pode 34% do eleitorado acreditar que o partido que no governo anterior foi grande responsável pela situação que vivemos vai agora governar bem? Como podem os que votam nos partidos de esquerda acreditar que a denúncia que os seus deputados fazem, quer no parlamento europeu quer na AR , tem qualquer eficácia? Como podem os sindicalistas acreditar ainda que manifestações e greves mudam as coisas?

O sistema está montado e funciona bem. Funciona bem para os donos do País. Quem quer mudar a vida, inverter escalas de valor, pôr o ser acima do ter, comete o grande pecado de sonhar, de “não ser realista”. Quem está bem acordado vai aos comícios. Ou não vai e não vota – «os gajos são todos iguais» Ou vota num partido de esquerda e acha que cumpriu o seu dever de revolucionário.

Nós, os que, na clareira do pequeno pinhal, nos julgamos na Amazónia, vamos remoendo a nossa Razão. A digestão é difícil.

 

 

 

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