RACHEL GUTIÉRREZ EM LISBOA: “NÃO NASCEMOS MULHERES, TORNAMO-NOS MULHERES” (SIMONE DE BEAUVOIR) por Clara Castilho

Foi à volta deste assunto que passei uma tarde com a Rachel, na sede da UMAR – União de Mulheres Alternativa e Resposta, conversando com Manuela Tavares e outras  “companheiras” sobre a forma como este assunto é abordado pela associação, sobre a forma como Rachel sobre ele lutou no Brasil e sobre ele escreveu. Bebendo chá e trocando impressões e trabalhos, muito se foi descobrindo em comum.

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Rachel diz no seu livro “O feminismo é um humanismo”:

“O feminismo é um humanismo. Não um humanismo no sentido clássico, mas um novo humanismo. […] Quase seis séculos após a Renascença, cujo humanismo propiciou o nascimento de uma consciência crítica independente, o novo humanismo que o feminismo pode significar, traz a possibilidade de que a consciência crítica deixe de ser privilégio dos homens. As mulheres tomaram a palavra. Em primeiro lugar, para denunciar a opressão. Em segundo lugar, para anunciar a plena realização do humano. […] A luta feminista prenuncia o advento de uma nova era. Juntos, as mulheres, os jovens, os que defendem a natureza e os que lutam pela paz, os negros, os homossexuais, todos os oprimidos, com as crianças e os poetas, são os artífices do futuro, de um novo renascimento, de uma possível epifania.”

No mesmo sentido tem trabalhado a  UMAR  – associação de mulheres constituída em 12 de Setembro de 1976, sem fins lucrativos, com estatuto de uma Organização Não Governamental (ONG) de Mulheres, tendo sido reconhecida como pessoa colectiva de utilidade pública em 2010.

É de âmbito nacional, com sede em Lisboa, no Centro de Cultura e Intervenção Feminista – espaço que dinamiza – e cujo trabalho de intervenção cobre o território litoral de Portugal Continental (Braga, Porto, Coimbra, Lisboa e Península de Setúbal) e da região da Madeira. A UMAR assume-se como uma associação feminista e conta com uma história de três décadas na defesa dos direitos das mulheres. A Igualdade de Género, a luta contra o sexismo na sociedade e a solidariedade feminista constituem vertentes de intervenção da associação como se pode comprovar pelos seus estatutos.

A vocação internacionalista do feminismo expressa-se na UMAR através da sua ligação a redes feministas mundiais (Marcha Mundial de Mulheres, de redes europeias contra a violência de género, de defesa dos direitos de mulheres migrantes, contra o tráfico de mulheres, pelos direitos sexuais e reprodutivos, bem como redes de estudos sobre as mulheres, feministas e de género.

A UMAR iniciou em 2009 a sua aposta nos meios de comunicação social ao implementar o projecto do Observatório das Representações de Género nos Media (http://sites.google.com/site/observatoriogeneromedia/). Este Observatório tem como principal objectivo monitorizar os conteúdos transmitidos pelos diversos veículos de comunicação social portugueses.

Ao mesmo tempo, tem sido reconhecido o esforço e o trabalho que a UMAR tem vindo a desenvolver na defesa e na promoção da Igualdade de Género, que pode ser atestado pela sua integração no Conselho Consultivo da extinta CIDM – Comissão para a Igualdade e para os Direitos das Mulheres, agora CIG – Comissão para a Cidadania e Igualdade de Género. Neste âmbito a associação tem integrado diversos grupos de trabalho ligados às temáticas da igualdade, género e violência, tendo sido auscultada, assim como outras organizações não governamentais, aquando da preparação dos seguintes planos estratégicos nacionais: Plano Nacional contra a Violência Doméstica, Plano Nacional para a Igualdade – Género, Cidadania e Não Discriminação e Plano Nacional Contra o Tráfico de Seres Humanos, desde 2007. Destaque-se, ainda, o envolvimento da UMAR no grupo de trabalho intersectorial responsável pela elaboração do I e do II Programa de Ação para a Eliminação da Mutilação Genital Feminina.

Uma área de grande importância na intervenção da UMAR, desde 2005, é o Centro de Documentação e Arquivo Feminista Elina Guimarães (CDAFEG). De Agosto de 2007 a Novembro de 2008 deu-se início e desenvolveu-se o projecto «Partilha do Conhecimento On-line» financiado pela UMAR e pelo Programa Operacional da Sociedade do Conhecimento (POSC), que contou com o apoio da Fundação Mário Soares na digitalização de documentos. Tem sido realizada a catalogação informática da documentação existente e a digitalização de documentos de arquivo. Estes e outros recursos estão disponíveis on-line em regime de acesso gratuito e universal no portal do CDAFEG: http://www.cdocfeminista.org. O CDAFEG teve uma parceria europeia através do projeto FRAGEN com o ALETTA – Institute for Women’s History em Amesterdão, cujos resultados estão online: http://www.fragen.nu.

Ficou feita a ponte entre Brasil e Portugal. Quem sabe o que mais daqui sairá?

 

 

 

 

3 Comments

  1. Inesquecível, cara Clara Castilho, foi essa tarde com as companheiras do UMAR. Quando temos em comum o desejo de ver transformada a condição feminina, em nossos países e no mundo, sentimo-nos em casa, em família. E eu agradeço a acolhida calorosa das companheiras portuguesas, cujo trabalho seríssimo pude vislumbrar e apreciar.
    abraço solidário com a sororidade da
    Rachel,

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