EDITORIAL – AINDA O RESCALDO DAS ELEIÇÕES EUROPEIAS

logo editorial

O rescaldo das eleições europeias está a ser demorado e controverso. O duelo entre Seguro e Costa promete durar, e dar muito que falar. No dia das eleições, já se completaram ontem oito dias sobre ele, ficámos com a impressão que o PS tinha ganho. Hoje, segunda-feira, dia 2 de Junho, estamos naquele estado que se resume na frase: não percebemos nada.

Contudo, nestas eleições europeias, o PS português terá sido o único partido socialista a ficar á frente nas votações. É verdade que na Grécia o Syriza ficou à frente na votação, mas não é de modo nenhum um partido socialista tradicional, costumando-se ser classificado na comunicação social como de esquerda radical. Não faz parte da II Internacional, como o PASOK, o partido socialista grego, e chamam constantemente a atenção para o facto ter sido formado a partir de uma coligação de partidos. Tocamos aqui um dos problemas básicos do sistema político representativo, aliás já muitas vezes referenciado: as pessoas tendem cada vez mais a votar num agrupamento político, olhando cada vez mais às figuras que o integram, e ao peso, positivo ou negativo, que o dito agrupamento tem tido na vida do país, em vez de olharem aos méritos ou deméritos da ideologia que supostamente é a sua razão de ser. É verdade que está cada vez mais generalizado o hábito de, após as eleições, a força política vencedora desenvolver uma prática completamente diversa das promessas que fez durante a campanha, hábito este que parece ter-se agravado com a adesão à União Europeia.

Sem aprofundar por agora esta questão, registemos a constatação de que o PS não parece em condições de tirar partido desse primeiro lugar nas eleições europeias de 25 de Maio. E por culpas próprias. Aliás, por culpa das suas principais figuras. Na prática, a sensação de incapacidade que transmitem faz com que o governo e a coligação que o suporta tenham as mãos livres para actuarem a seu bel prazer. Nem a expectativa de uma derrota desta última nas legislativas do próximo ano parece, neste momento, tão irremediável como há semanas atrás. Assim, a resposta às exacções do governo e da troika (ou do que a esta suceder) terá de ser dada cada vez mais na rua, entendida esta como todas as vias fora do sistema dominante. E a abstenção vai aumentar em eleições futuras, dado o descrédito que destas situações resulta para o sistema.

1 Comment

  1. *”*…, a resposta às exacções do governo e da troika (ou do que a esta suceder) terá de ser dada cada vez mais na rua, entendida esta como todas as vias fora do sistema dominante.”Nem mais -Maria

Leave a Reply