Selecção, tradução e nota introdutória por Júlio Marques Mota
Caros Amigos
As eleições realizaram-se, o povo escolheu e, pela lógica da Democracia, escolheu bem, porque escolhe sempre bem. Se os resultados não estão à altura é sempre porque alguém considera que não foi claro no passar da sua mensagem e portanto foi sancionado. Mas uma questão: na maioria dos casos havia mesmo mensagem a entender, quando nestas eleições europeias praticamente se falou de tudo menos da Europa?
Pois bem, a França dá-nos um bom exemplo disso mesmo, com um tsunami agora nada silencioso, pelos resultados de ontem, pelas declarações de ontem, pelo baile das avestruzes de ontem a que se terá assistido. Sobre isso um elegante texto aqui vos deixo, com o título O baile das avestruzes.
Sublinho o que num outro texto da semana passada mas ainda não publicado no blog A Viagem dos Argonautas se afirmou :
“François Hollande, a tentar criar as condições da sua reeleição, cria as circunstâncias favoráveis à existência de fortes tumultos sociais, de reacções de auto-defesa, dos Comités de cidadãos e ao esmagamento da República. E terá feito tanto e de tal maneira que mesmo Filoche não o lamentará — em que ele corre o risco de ver, como muitos outros, nestes acontecimentos a condição necessária para que ventos favoráveis voltem a soprar de novo sobre a França. (…)
É no plano da economia que tudo se jogará, porque não há outro princípio determinante em última instância. E a economia, de momento, é exactamente o sofrimento dos humildes — entre eles, muitos pessoas que votaram François Hollande porque Sarkozy, era o liberalismo financeiro (este capitalismo moderno estilo do que Piketty denuncia no seu livro que funciona tão bem nos … Estados Unidos), e que se apercebem dia após dia que Hollande é o capitalismo financeiro, e que tudo isto vai terminar num banho de sangue — ou numa “aurora dourada ”, como dizem na Grécia, este laboratório de todos os erros europeus.”
E é tudo.
Júlio Marques Mota
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Para quando uma PRIMAVERA europeia?Maria