EDITORIAL – No 25º aniversário de Tiananmen

Imagem2Faz hoje 25 anos. Um chinês, presumivelmente um jovem estudante, colocou-se à frente de uma coluna de blindados, obrigando-a a parar. Um frágil ser humano imobilizando uma poderosa máquina de guerra – por momentos, a humanidade prevalecendo sobre a força bruta. Foi em Pequim, em Tiananmen – Praça da Paz Celestial…

Por mais argumentos que se aduzam a favor do regime chinês, cada vez mais se torna claro que ele configura uma brutal situação de desprezo pelos Direitos Humanos consignados na Declaração que a Assembleia Geral da ONU aprovou em 1948. Sabe-se que a mentalidade asiática é diferente, sabe-se que a China vivia uma deplorável situação económica. Porém, designar por socialista o regime que governa o país, constitui um insulto ao socialismo. Se a mentalidade chinesa é tão diferente da ocidental, por que motivo então uma oligarquia poderosa, ligada ao aparelho do poder, exibe todos os gostos, vícios e preferências da alta burguesia capitalista?

Não há argumentos válidos que defendam o que está a acontecer na China. Não se percebe como pode a insensibilidade brutal que domina todo aquele imenso estado ser considerado como um mal necessário. ´Há cinquenta anos o Livro Vermelho de Mao Tsé-Tung andava de mão em mão. Ao escutar a leitura respeitosa que se fazia daquele amontoado de   tautologias, aforismos e lugares-comuns, se alguém se ria, era admoestado. Hoje já não dá vontade de rir. E não colhe argumentar com as diferenças de mentalidade – existem, mas não transformam os chineses em alienígenas.

Seres humanos frágeis: carne, sangue, músculos, ossos… A insustentável leveza do ser enfrentando a brutal máquina do poder. Faz hoje 25 anos.

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3 Comments

  1. Esta frase é fenomenal Seres humanos frágeis: carne, sangue, músculos, ossos… A insustentável leveza do ser enfrentando a brutal máquina do poder. Faz hoje 25 anos.

    Postei no meu face -OBRIGADA

    MARIA

  2. Quando um poeta fala, tem mais contundência e verdade do que a própria realidade mostrada pela mídia: ” a insustentável leveza do ser enfrentando a brutalidade da máquina do poder” – legenda perfeita para aquela imagem inesquecível.
    Abraço solidário!

    1. Obrigado Maria de Sá, obrigado Rachel Gutiérrez. A violação dos Direitos Humanos é mais gritante na China do que em qualquer outra parte do mundo. Porque será que os Estados Unidos, as Nações Unidas, a União Europeia, sempre com tantas preocupações em repor a democracia, não hesitando em invadir, bombardear, destruir, para derrubar ditaduras ( como aconteceu no Iraque), não se preocupam com a China. Não deve ser porque a China tem um enorme poder militar, pois não?

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