CÍRCULO VICIOSO, de MACHADO DE ASSIS

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CÍRCULO VICIOSO, de MACHADO DE ASSIS

 

Bailando no ar, gemia inquieto vaga-lume:

– “Quem me dera que fosse aquela loura estrela,

Que arde no eterno azul, como uma eterna vela!”

Mas a estrela, fitando a lua, com ciúme:

 

-“Pudesse eu copiar o transparente lume,

Que, da grega coluna à gótica janela,

Contemplou, suspirosa, a fronte amada e bela!”

Mas a lua, fitando o sol, com azedume:

 

– “Mísera!  tivesse eu aquela enorme, aquela

Claridade imortal, que toda a luz resume!”

Mas o sol, inclinando a rútila capela:

 

– “Pesa-me esta brilhante auréola de nume…

Enfara-me esta azul e desmedida umbela…

Porque não nasci eu um simples vaga-lume?”

 

In Antologia dos Poetas Paulistas – selecção e coordenação de Mariazinha Congílio

Edição Universitária Editora – Lisboa 2001

Prefácio de José Fernando Tavares

Nota – numa breve introdução a coordenadora da obra diz-nos que esta antologia tem três visitantes: “É impossível fazer uma antologia brasileira (mesmo sendo apenas paulista) sem contar com a presença dos cariocas Vinícius de Moraes, Cecília Meireles e Machado de Assis (nosso maior escritor).

 

 

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