Poema: Vasco Graça Moura (in “Os Rostos Comunicantes”, Lisboa: Publicações Dom Quixote, 1984; “Poesia 1963/1995”, Lisboa: Quetzal Editores, 2007 – pág. 313); Música: Jorge Salgueiro; Intérprete: Negros de Luz* (in CD “Canções da Inquietação”, Foco Musical, 1998; CD “10 Anos de Inquietação”, Tradisom, 2005)
O atol dos amores é uma porção de terra rodeada de amor por todos os lados? uma porção de amor rodeada de terra por todos os lados? rodeada de água? rodeada? ah, todo o amor é árduo a humano trato e se interroga e ninguém é uma ilha onde se caça. Apenas se conhece asperamente seu rodeado mapa de coral. Apenas contra a morte a ilha, a redondilha.
* Negros de Luz:
Juliana Telmo – voz (soprano); Dolores de Matos – voz (contralto); Carlos Ançã – voz (tenor); Carlos Cóias – voz (baixo); Óscar Mourão – piano
António Barbosa – violino; Paulo Viana – violino; Susana Cordeiro – violeta; Carlos Faria – violoncelo; José Carinhas – percussão
Direcção musical – Jorge Salgueiro; Produção executiva – Miguel Pernes; Gravado, misturado e masterizado nos Estúdios Tcha Tcha Tcha, Miraflores, entre Janeiro e Maio de 1998; Gravação, misturas e produção – Zé Vasco, António Pinheiro da Silva e Jorge Salgueiro
Poetas de Lisboa
Poema: Vasco Graça Moura (in “Letras do Fado Vulgar”, Lisboa: Quetzal Editores, 1997 – pág. 18; “Poesia 1997/2000”, Lisboa: Quetzal Editores, 2000 – pág. 196); Música: Casimiro Ramos (Fado Margaridas), Intérprete: Carlos do Carmo* (in 2CD “Ao Vivo no CCB: Os Sucessos de 35 Anos de Carreira”: CD 2, EMI-VC, 1999)
É bom lembrar mais vozes pois Lisboa cidade com poético fadário cabe toda num verso do Cesário e alguma em ironias do Pessoa
Para cada gaivota há um do O’Neill para cada paixão um do David e há Pedro Homem de Mello que divide entre Alfama e Cabanas seu perfil
E há também o Ary e muitos mais, entre eles o Camões e o Tolentino, ou tomando por fado o seu destino ou dando de seu riso alguns sinais
Muito do que escreveram e se canta na música de fado que já tinha o próprio som do verso vem asinha assim do coração para a garganta
Que bom seria tê-los a uma mesa de café comparando as emoções e a descobrirem novas relações entre o seu fado e a língua portuguesa
* Carlos do Carmo – voz; Ricardo Rocha – 1.ª guitarra portuguesa (canal esquerdo); Paulo Parreira – 2.ª guitarra portuguesa (canal direito) José Maria Nóbrega – 1.ª viola (canal esquerdo); Carlos Manuel Proença – 2.ª viola (canal direito); José Elmiro Nunes – baixo acústico; Concepção musical – Carlos do Carmo; Produção – Alfredo Almeida; Gravado ao vivo no Centro Cultural de Belém, Lisboa, nos dias 10 e 11 de Dezembro de 1998; Misturado na unidade móvel BANZAI, por Alfredo Almeida e Miguel Escada; Editado e masterizado por Alfredo Almeida e Rui Dias, no Estúdio Tcha Tcha Tcha, Miraflores
Nasceu Assim, Cresceu Assim
Poema: Vasco Graça Moura (excerto de “Genealogia”) [texto integral >> abaixo]; Música: Fernando Tordo, Intérprete: Carlos do Carmo* (in CD “Nove Fados e Uma Canção de Amor”, Mercury/Universal, 2002)
Talvez a mãe fosse rameira de bordel talvez o pai um decadente aristocrata talvez lhe dessem à nascença amor e fel talvez crescesse aos tropeções na vida ingrata
talvez o tenham educado sem maneiras entre desordens, navalhadas e paixões talvez ouvisse vendavais e bebedeiras e as violências que rasgavam corações
talvez ardesse variamente em várias chamas talvez a história fosse ainda mais bizarra no desamparo teve sempre duas amas que se chamavam a Viola e a Guitarra
pois junto delas já talvez o reconheçam talvez recusem dar-lhe o nome de Enjeitado e mesmo aqueles que o não cantam não esqueçam nasceu assim, cresceu assim, chama-se Fado
* Carlos do Carmo – voz; Ricardo Rocha – guitarra portuguesa; Carlos Manuel Proença – viola; Fernando Araújo – viola baixo acústica
Arranjos – Carlos do Carmo, Ricardo Rocha e Carlos Manuel Proença; Produção – Carlos do Carmo, Ricardo Rocha, Carlos Manuel Proença e Nuno Faria; Consultadoria de produção – Alfredo Almeida; Produção executiva – Nuno Faria / Condado Azul, Lda.; Coordenação de edição – Paula Homem / Universal Music Portugal; Gravação – Fernando Abrantes, nos Estúdios MDL, Paço d’Arcos, em Setembro e Outubro de 2002
Assistente – Pedro Ferreira; Misturas – Fernando Abrantes, Nuno Faria e Alfredo Almeida, nos Estúdios MDL; Masterização e edição digital – Fernando Abrantes, nos Estúdios MDL