PRESENCIAR, AGREDIR, ASSASSINAR, DEFENDER, AGRESSIVIDADE CRESCENTE por Luísa Lobão Moniz

olhem para  mim

Relembrando o que escrevi sobre violências doméstica, ontem, não podia deixar de colocar hoje algumas imagens para completarem o que foi escrito.

Receio que as violências doméstica, ou no seio da família, estejam a aumentar como nos dizem os relatórios e os jornais, e que comece a ficar incontrolável, o que significa que muitas das violências fiquem também incontroláveis e que o governo comece a pensar em soluções repressivas sem investir outros recursos como o acompanhamento destas famílias que já estão sinalizadas para as CPCJ e para a APAV.

Porque é que os homens, as mulheres e os jovens estão a escolher este comportamento, se durante 40 anos de democracia se foram denunciando estes casos, se criaram instituições de apoio às vítimas…

Há que repensar a forma como se abordam e resolvem os comportamentos que não respeitam os Direitos Humanos. Penso que houve uma grande preocupação de proteger as vítimas, e bem, e de castigar os agressores com penas suspensas, com pulseiras eletrónicas, sem perceber o porquê desse comportamento.

O agressor também precisa de ajuda…pois ninguém nasceu para ser agressor ou para ser  vítima. O agressor tem que ter uma sanção social superior ao dano causado, mas a sanção não quer dizer prender e pronto, a cadeia deve servir para ajudar a integração daqueles que têm comportamentos anti sociais e não para os fechar na cadeia, reduzir penas porque se portaram bem. Que trabalho de reintegração se faz nas cadeias? Eu não sei.

Para é que eu nasci … o meu pai batia-me, depois o meu marido e agora o meu filho” mãe de um adolescente, filho único, não queria estudar, andava na rua, tinha o seu grupo que se dedicava a trabalhos ilícitos.

Esta mulher é o tipo de mulher submissa que apesar de dizer que não devia ser batida, tem a sua auto estima tão baixa que não consegue reagir, dar o murro na mesa e dizer basta! Mas e depois o filho sai de casa e ela fica sozinha…tem vergonha de dizer às vizinhas, mas toda gente do bairro sabe…e ninguém ajuda esta mulher a sair desta situação, e porquê? Quase todas as mulheres deste bairro são agredidas e têm vergonha, só o dizem quando também reagem violentamente contra o agressor.

As crianças agridem-se verbalmente dizendo alto “o que é…o teu pai também bate na tua mãe e em ti…”

 bia sábado

Violência no seio da família presenciada por crianças em 42% dos casos. Quando as crianças presenciam a violência entre os pais, tentam fugir, e por vezes, sentem-se culpadas.

“Quarenta e dois por cento dos casos de violência doméstica participados à polícia em 2012 foram presenciados por crianças e no mesmo ano ocorreram 37 homicídios conjugais, mais dez do que em 2011.” (JORNAL DE NOTICIAS 22/1/2014)

Detidos dois irmãos suspeitos de agredir pais. Estes irmãos provavelmente cresceram num ambiente de violência entre os adultos e com outros elementos da família ou não. O que aprenderam em termos de comportamentos foi a pancada indiscriminada.

“A PSP do Porto anunciou a detenção de quatro suspeitos de violência doméstica, incluindo dois irmãos que, na terça-feira, terão agredido os pais.” (JORNAL DE NOTICIAS – 22/91/2014)

Assassinadas 36 mulheres em 2012, mais do que em todo o ano passado.

Porque há tantas pessoas portadoras de armas? Porque recorrem ao homicídio, e por vezes, passado pouco tempo vão-se entregar à polícia? (JORNAL DE NOTICIAS– 24/11/2012)

Jovem matou o pai para defender a mãe de violência doméstica. Tal como se escolhe, no arco dos comportamentos, a violência, também se escolhe lutar contra ela. Este jovem tentou defender o elo mais fraco desta família, mas infelizmente mais uma vez não soube escolher uma maneira não violenta. Este jovem quis dizer não à violência. “Um homem de 20 anos matou o pai, com cerca de 50 anos, ao início desta quinta-feira, em Mira Sintra, Sintra, disse fonte da PSP. A defesa da mãe estará na origem do sucedido.” (JORNAL DE NOTICIAS- 16/08/2012)

Agressões domésticas têm aumentado e são cada vez mais violentas.

As pessoas vão-se “aturando” durante o ano. Mas vão ao café, saem, ficam a ver o futebol ou a telenovela, mas no verão estão todos em casa ao mesmo tempo. O que aturaram durante o ano vem-lhes à memória, implicam uns com os outros, muitas vezes há quem esteja sempre alcoolizado, culpam o outro pelo que corre mal.

“O número de casos de violência doméstica aumenta no verão devido ao maior convivência entre casais, defende o diretor-executivo da Associação de Apoio à Vítima, que sublinha a agressividade crescente e a contribuição da crise para os atritos.” (Publicado em 05/09/2012)

Mais de três mil pais foram mal tratados pelos filhos

 Esta filha que agride a mãe será má porque sim? Ou terá tido uma infância a assistir a cenas de violência, ou é perturbada psicologicamente? Ou poderá ter este comportamento por muitas razões.

Mais de três mil pais foram vítimas, nos últimos oito anos, de maus tratos infligidos pelos próprios filhos, tendo recorrido à Associação Portuguesa de Apoio à Vítima, que viu duplicar o número de casos entre 2004 e 2011. (JORNAL DE NOTICIAS- 08/08/2012)

Condenado a seis anos de cadeia por violência doméstica

Este homem foi condenado a ficar preso. as cadeias estão cheias de pessoas violentas. O que acontece dentro das cadeias, não para punir, mas para reabilitar? Se a cadeia fosse o remédio não estaria cheia.(Lusa, texto publicado por Sofia Fonseca- 31 março 2014 )

O Tribunal Judicial de Cinfães condenou um homem a uma pena superior a seis anos de prisão efetiva pela prática de vários crimes de violência doméstica contra a mulher e filhas.

 

 

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