CARTA DE PARIS – A pior política – 3 – por Manuela Degerine

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(Conclusão)

A Frente Nacional ganhou estas eleições, todavia o mérito é – como já percebemos – de quem, por miopia, cálculo, preguiça, estupidez, cobardia, lhe tem facilitado a progressão. Por exemplo… Por que carga de água a FN é o único partido que fala de patriotismo? De imigração? De segurança? (Claro, à sua maneira: com vistas curtas.) Por que razão a esquerda, o centro e a social-democracia são incapazes de inventar um patriotismo moderno? Não se implicam na identidade europeia? Qualquer português – ou francês – que tenha desembarcado na Índia, na China, nos Estados Unidos sabe a que ponto a Europa existe. Não seria necessário que todos os partidos se interessassem pelo sentimento europeu? Pela defesa dos valores europeus? Da qualidade de vida europeia? E não parece legítimo que quem beneficia das nossas instituições, dos nossos subsídios – dos nossos impostos – contribua para a construção da sociedade? Respeite as suas leis? Não venha roubar, agredir, destruir. Não venha usufruir do nosso trabalho sem contrapartida. Quem não toca nestes problemas (por os considerar tabu) empurra a extrema-direita para o poder, porquanto deste modo o povo (que lhes conhece a importância) não terá mais por onde escolher.

Aliás o PS, a UMP e os outros acham-se agora sinistrados por não terem eleito os seus candidatos: colhem o joio que semearam. Em França, como em Portugal, só se fala das taxas europeias, nunca dos subsídios (e ainda menos do que deles é feito no país). Só se fala das diretivas europeias, apresentadas como absconsas, nunca das leis que nos protegem: na saúde, no trabalho, na educação, na economia, no meio ambiente, nos direitos humanos. Só se fala dos diplomas de Bolonha, nunca da pesquisa e da inovação europeias. Só de fala das obrigações, nunca das vantagens do euro. Só se fala dos egoísmos e desavenças, nunca da força no choque com a China, a Índia, a Rússia, os Estados Unidos… Quem lembra – ao menos – que a construção da Europa já nos garantiu sete décadas de paz? Em vez dos milhões de mortos e todas as barbaridades na primeira metade do século XX. A verdade é que a Europa serve aos políticos de desculpa para as más políticas nacionais: dá-lhes um jeitão. Mas os resultados eleitorais franceses provam que – também esta – não será a melhor política.

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