Em memória de Vasco Graça Moura (1942-2014) – 12 – por Álvaro José Ferreira

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Nota prévia:

Para ouvir os poemas (cantados) de Vasco Graça Moura, há que aceder à páginaImagem2

http://nossaradio.blogspot.com/2014/05/em-memoria-de-vasco-graca-moura.html

 

Valsa das Sombras

Poema: Vasco Graça Moura (in “Mais Fados & Companhia”, Lisboa: Público, 2004 – págs. 94-95; “Poesia 2001/2005”, Lisboa: Quetzal Editores, 2006 – págs. 108-109)
Música: Gonçalo Paredes, arr. Carlos Paredes (“Valsa”, in LP “Movimento Perpétuo”, Columbia/VC, 1971, reed. EMI-VC, 1988)
Intérprete: Mísia* (in CD “Canto”, Warner Jazz France, 2003)

Agora esta valsa na lenta espiral
do baile de sombras em que às vezes danças
quando a noite cai e é de pedra e cal
no espelho vazio das minhas lembranças,

agora esta valsa no avesso dos dias,
na melancolia das suas oitavas,
repete de leve nas horas sombrias
as loucas palavras que me murmuravas

agora esta valsa quando te atravessas
nesta solidão envolta num xaile
lembra-me uma a uma as tuas promessas
na luz apagada deste fim de baile

qualquer valsa agora são passos em volta,
na vida sem rumo o adeus é cruel,
galopam as nuvens deixadas à solta,
ficou-me o deserto, ainda sabe a mel

vejo o teu vulto e é muito tarde
nesta distância sem regresso
talvez a vida me acobarde
se à tua ausência eu me confesso

nem saberei o que me espera
nem que rosário de amargura
nem se é inverno a primavera
nem se este amor se fez loucura

[instrumental]

agora esta valsa na lenta espiral
do baile de sombras em que às vezes danças
quando a noite cai e é de pedra e cal
no espelho vazio das minhas lembranças,

qualquer valsa agora são passos em volta,
na vida sem rumo o adeus é cruel,
galopam as nuvens deixadas à solta,
ficou-me o deserto, ainda sabe a mel

[instrumental]

nem saberei o que me espera
nem que rosário de amargura
nem se é inverno a primavera
nem se este amor se fez loucura

Tim-Tim por Tim-Tim

Poema: Vasco Graça Moura (in “Mais Fados & Companhia”, Lisboa: Público, 2004 – págs. 86-87; “Poesia 2001/2005”, Lisboa: Quetzal Editores, 2006 – págs. 102-103);  Música: Carlos Paredes (“Canção”, in LP “Movimento Perpétuo”, Columbia/VC, 1971, reed. EMI-VC, 1988);  Intérprete: Mísia* (in CD “Canto”, Warner Jazz France, 2003)

Do rio ao mar
verde cor
branca espuma vã

não vás cuidar
minha flor
na luz de amanhã

hoje é sem par
e o sol-pôr
tem na lua a irmã

vai devagar
meu amor
feito de hortelã

como dizer
destas nuvens na sede?

como entender
o princípio e o fim?

nesta espiral
do viver
dentro da canção

há um sinal
a bater
só no coração

sangue fatal
a correr
para a solidão

e é musical
a doer
entre o sim e o não

como dizer
entre o não e o sim?

como entender
o princípio e o fim
postos dentro de mim?

postos dentro de mim
e tim-tim por tim-tim?

do rio ao mar
verde cor
branca espuma vã

não vás cuidar
minha flor
na luz de amanhã

hoje é sem par
e o sol-pôr
tem na lua a irmã

vai devagar
meu amor
feito de hortelã

[instrumental]

hoje é sem par
e o sol-pôr
tem na lua a irmã

vai devagar
meu amor
feito de hortelã

* Mísia – voz;  Manuel Rocha – violino; José Manuel Neto – guitarra portuguesa; Carlos Manuel Proença – viola de fado; Quinteto de cordas “Camerata de Bourgogne”:;  Jean-François Corvaisier – 1.º violino;  Leurent Lagarde – violoncelo;  Alain Pelissier – violeta;  Valérie Pelissier – violeta;  Pierre Sylvan – contrabaixo;  Arranjos e direcção musical – Hanri Agnel;  Direcção do projecto – Pascal Bussy / Warner Jazz France
Produção executiva – Igor Szabason / IS Music,  Assistente – Laurence Gilles;  Gravado no Studio Gam, Waimes (Bélgica), em Junho de 2003
Engenheiro de som – Silvio Soave;  Misturas – Silvio Soave, no CATI Audio, Roman (França)

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