Em memória de Vasco Graça Moura (1942-2014) – 21 – por Álvaro José Ferreira

 

Nota prévia:

Para ouvir os poemas (cantados) de Vasco Graça Moura, há que aceder à páginaImagem2

http://nossaradio.blogspot.com/2014/05/em-memoria-de-vasco-graca-moura.html

Talvez

Poema: Vasco Graça Moura
Música: Luís Pedro Fonseca
Intérprete: Cristina Nóbrega* (in CD “Retratos”, Sony Music, 2010)

Talvez digas um dia o que me queres,
talvez não queiras afinal dizê-lo,
talvez passes a mão no meu cabelo,
talvez não pense em ti, talvez me esperes

Talvez, sendo isto assim, fosse melhor
falhar-se o nosso encontro por um triz
talvez não me afagasses como eu quis,
talvez não nos soubéssemos de cor

Mas não sei bem, respostas não mas dês,
vivo só de murmúrios repetidos,
de enganos de alma e fome dos sentidos,
talvez seja cruel, talvez, talvez…

Se nada dás, porém, nada te dou
neste vaivém que sempre nos sustenta,
e se a própria saudade nos inventa,
não sei talvez quem és mas sei quem sou.

[instrumental]

Talvez, sendo isto assim, fosse melhor
falhar-se o nosso encontro por um triz
talvez não me afagasses como eu quis,
talvez não nos soubéssemos de cor

Mas não sei bem, respostas não mas dês,
vivo só de murmúrios repetidos,
de enganos de alma e fome dos sentidos,
talvez seja cruel, talvez, talvez…

Se nada dás, porém, nada te dou
neste vaivém que sempre nos sustenta,
e se a própria saudade nos inventa,
não sei talvez quem és mas sei quem sou.

* Cristina Nóbrega – voz,  José Manuel Neto – guitarra portuguesa;  Rogério Ferreira – viola de fado;  Pedro Festa – contrabaixo

Questão de Culpa

Poema: Vasco Graça Moura
Música: Carlos Gonçalves
Intérprete: Cristina Nóbrega* (in CD “Retratos”, Sony Music, 2010)

Que me deixasses só e te afastasses
foi o que te pedi, sabe-lo bem
e quando me deixasses, nem falasses
do fim do nosso amor com mais ninguém

Mas se andas por aqui como se a vida
continuasse a mesma entre nós dois
tristemente iludida, a despedida
para um adeus cruel, mas só depois

Se é ao banco dos réus que tu me arrastas
como se o fim do amor fosse algum crime
se com palavras gastas tu te afastas,
mas queres que de ti eu me aproxime

É que talvez não saibas que te amei
e que esse louco amor não continua
de tanto que passei, desesperei
e se a saudade é minha, a culpa é tua

[instrumental]

É que talvez não saibas que te amei
e que esse louco amor não continua
de tanto que passei, desesperei
e se a saudade é minha, a culpa é tua

* Cristina Nóbrega – voz;  Carlos Gonçalves – guitarra portuguesa;  Rogério Ferreira – viola de fado;  Pedro Festa – contrabaixo;  Produção – Luís Pedro Fonseca;  Gravado e misturado nos Estúdios MDL, Paço d’Arcos, por André Tavares;  Masterizado por Fernando Abrantes

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