Que fé é essa que brilha na mostra de ourivesaria sacra da diocese de Bragança, patente em Cascais?
O bispo de Bragança-Miranda crismou-a de “O brilho da Fé”, mas só para melhor poder disfarçar o seu próprio “brilho” de bispo residencial, vaidade q.b. E a mostra de ourivesaria sacra da sua diocese, depois de ter estado patente ao público no Museu Abade de Baçal, acaba de levantar voo e foi pousar, estes dias finais de Junho, em Cascais, mais propriamente, no palácio da Cidadela, da Presidência da República, onde, agora, brilha e pode ser visitada/ adorada pelos turistas e todos os cristãos católicos romanos e protestantes, adoradores do Deus Dinheiro e do seu cristo, o único que o próprio bispo D. José Cordeiro faz questão de (re)conhecer, cultuar e promover junto dos seus diocesanos, nomeadamente, das elites. E junto da multidão dos iletrados e letrados que não lêem, ou se lêem, não chegam nunca a entender a realidade que os cerca e formata. A mostra foi inaugurada pela mulher do presidente Aníbal, a conhecida Maria dos presépios, tão devota, ela também, do mesmo Deus do bispo D. José Cordeiro. E, para lá do indispensável brilho do bispo e do ouro sacro, a inauguração contou igualmente com a presença de Ana Maria Afonso, a Directora do Museu Abade de Baçal, o qual, assim, terá de ficar privado, pelo menos, até dia 7 de Setembro 2014, de “O Brilho da Fé”. Não, obviamente, do brilho do bispo D. José Cordeiro, nem do brilho da própria Ana Maria Afonso que, como é público e notório, goza da total confiança institucional do bispo.
O poder de “crismar” pessoas e mostras ou exposições é um exclusivo do bispo de cada diocese. É um poder sagrado, por isso, perverso, já que tem o condão, no que respeita às pessoas, de tornar mais pequenas as que aceitem submeter-se ao ritual do “Crisma”, um ritual de todo infantilizador, a roçar pelo macabro. Se os crismandos não vão à catedral do bispo, vai o bispo e, com ele, a catedral, aos crismandos, naquelas paróquias ou outras instituições confessionais, onde todos foram preparados por catequeses absurdas, carregadas de mentira e de beatice. Na hora de serem marcados na testa pela marca da Besta (o cristianismo de Pedro e de Paulo e do imperador Constantino é a Besta de que fala o Apocalipse), os crismandos, elas e eles, formam uma fila na coxia central do templo e avançam, lentamente, como escravos acorrentados por invisíveis correntes, até junto do bispo, vestido de tecidos finos e cheios de brilho, o do ouro e da prata, que, naquele espaço ofusca até o brilho das estrelas, de resto sempre ausentes, quando está presente o bispo diocesano. E se for o bispo de Roma, então nem se fala. Porque o bispo do poder eclesiástico, onde estiver em funções, sejam litúrgicas, ou mundanas, é sempre o sol, o cristo invicto, diante do qual todos os outros, as elites do poder e os súbditos delas, genuflectem, ao mesmo tempo que beijam o anel que ele ostenta no respectivo dedo da sua mão direita. No caso do crisma das pessoas, a marca da Besta é o chamado “santo óleo”, com o qual o bispo presidente besunta, em forma de cruz (instrumento de tortura), a testa de cada crismando. Se a marca fica só na testa, e não passa à consciência dos crismandos, é caso para dizer, Do mal, o menos! Mas se atinge a mente/ consciência dos crismandos, o desastre é completo. Porque a Besta subjuga e impede que cada crismando cresça de dentro para fora em humano, sempre em crescente relação maiêutica com os demais.
No caso da ourivesaria sacra de Bragança-Miranda, crismada “O brilho da Fé” pelo respectivo bispo residencial, D. José Cordeiro, o desastre é total. Como revela a pergunta do título desta crónica, escrita à luz da Fé e da teologia de Jesus, Que fé é essa que brilha na mostra de ourivesaria sacra da diocese de Bragança, patente em Cascais? Ninguém, em seu perfeito juízo, pode dizer que se trata da mesma Fé de Jesus Nazaré e de todos aqueles seres humanos que, como ele, resistem à tentação da idolatria, que é todo o poder, nos três poderes, em que ele subsiste. Porque a Fé de Jesus faz progressivamente humanas as pessoas, em relação maiêutica umas com as outras. Já a Fé que brilha na mostra da ourivesaria sacra de Bragança e na ourivesaria sacra de todas as demais dioceses católicas do país e do mundo, com destaque para a de Roma/ Vaticano, é apenas a fé religiosa e cristã, a principal fonte de alienação humana e a grande tentação que desvia as pessoas delas próprias. E as leva a procurar fora delas o que só pode ser encontrado dentro delas. É, por isso, uma fé idolátrica que valoriza o poder, o ter, o saber, e atrofia a maiêutica, o ser, a sabedoria. De tal modo que dentro da fé religiosa e cristã não há salvação, não há seres humanos em relação maiêutica e sororal, só elites poderosas, cada vez em menor número, e súbditos, todos os outros que se deixem ir por ela.
Ao crismar de “O brilho da Fé”, objectos de ouro, de prata e de pedras preciosas, o bispo D. José Cordeiro mostra bem de que tipo de fé anda possuído, e em alto grau. Vê Deus no ouro, na prata, nas pedras preciosas. Vê Deus no seu próprio viver de bispo residencial, todo ele feito de ininterrupta encenação que ofusca os olhos das pessoas que têm o azar de se cruzar com ele. É um cego que cega e, para cúmulo, ainda é o seu guia. Todo o seu brilho é treva. Onde estiver, rouba a voz e a vez. Reduz a nada os seres humanos. Os quais, junto dele, deixam, simplesmente, de ser. Que assim é o brilho do poder, do dinheiro, do saber. Um brilho ladrão e assassino das mentes/ consciências. Reduz todas as pessoas a seus súbditos.
No caso desta mostra, crismada “O brilho da Fé”, o bispo D. José Cordeiro consegue até esconder que todos aqueles objectos ditos “sacros”, são fruto de roubos, de saques, de “ofertas” dos súbditos do clero, criminosamente formatados pelas suas catequeses cristãs, cheias de mentira. Ao ouro, à prata e aos diamantes, chama-lhes o bispo D. José Cordeiro, junto com todos os seus pares no episcopado, objectos litúrgicos e sacros, sem perceber que toda a liturgia é pura idolatria, pura encenação. A fazer lembrar a criminosa postura do sacerdote Aarão, aquando da travessia do deserto, miticamente relatada pelo livro do Êxodo (cf Cap 32). A dada altura, alicia os hebreus, seus súbditos e do seu irmão Moisés, que reclamavam um Deus que fosse à sua frente, a despojarem-se do ouro que possuíam e a entregá-lo a ele. Fundiu-o logo no fogo e fez com ele um bezerro de ouro. E os hebreus, despojados do ouro, logo organizaram festejos e cultos de adoração ao seu Deus ouro. A demência das demências!
Neste início do terceiro milénio do cristianismo, D. José Cordeiro é, em Bragança-Miranda, o novo sacerdote Aarão, só que, agora, com muito mais brilho. Falta, porém, saber quem será, nesse mesmo território, o Moisés, seu irmão, que, como o do Êxodo – depois digam que a Bíblia é sagrada! – manda matar o irmão, o amigo e o vizinho, para, com essas mortes-sacrifício (missas brancas e missas negras) atraírem sobre eles a bênção do Deus Dinheiro, que os fará cada vez mais ricos e poderosos! Que terá a dizer de todo este “brilho” de D. José Cordeiro, nomeadamente, o novo Grão-Mestre da Grande Loja Legal de Portugal, o socialista Júlio Meirinhos, um dos seus amigos e amigo de Ana Maria Afonso, Directora do Museu Abade de Baçal?! Sim, que terá ele a dizer e a fazer? As malhas que o poder, todo cristão religioso ou laico, tece! E as inúmeras vítimas humanas que faz! Só para que o Deus Dinheiro cresça e as populações diminuam, até acabarem reduzidas a coisas!
Onde está a fé que movia montanhas? O ser humano adulto e informado percebe hoje, que essa fé que movia montanhas afinal só move milhões: de euros, de dólares ou outra designação que se queira escolher para a palavra dinheiro. E sempre foi assim a fé desta Igreja. Por essa razão o brilho da fé que se vê em exposição é aquele mesmo que sempre existiu mas que o medo imposto pelos ditadores da Igreja impediu de ver durante séculos. É o brilho do ouro, das pedras preciosas e da prata. No caso, ilustrado ainda, pelo sorriso nada convincente de um bispo que, em vez de exercer as funções que pede o chefe máximo da sua Igreja, que é ser pobre, para os pobres, prefere juntar-se aos ricos nos seus palácios.
Onde está a fé que movia montanhas? O ser humano adulto e informado percebe hoje, que essa fé que movia montanhas afinal só move milhões: de euros, de dólares ou outra designação que se queira escolher para a palavra dinheiro. E sempre foi assim a fé desta Igreja. Por essa razão o brilho da fé que se vê em exposição é aquele mesmo que sempre existiu mas que o medo imposto pelos ditadores da Igreja impediu de ver durante séculos. É o brilho do ouro, das pedras preciosas e da prata. No caso, ilustrado ainda, pelo sorriso nada convincente de um bispo que, em vez de exercer as funções que pede o chefe máximo da sua Igreja, que é ser pobre, para os pobres, prefere juntar-se aos ricos nos seus palácios.