CARTA DE LISBOA – Geovidentes da bola – por Pedro Godinho

lisboa

 

 

É correr atrás da redondinha e ver o mundo a girar em torno do mundial.

Como anda por aí a febre do futebol – não há notícia que não vá lá parar – para não ser apanhado offside, decidi, também eu, dar uns chutos na matéria.

Há quem leia nas estrelas, as folhas do chá ou as borras do café, as entranhas do animal sacrificado, o voo das aves, a bola de cristal, quem deite as cartas ou lance os búzios, mas os mais iluminados garantem antever o futuro nas voltas que a bola dá.

É a ciência do ludopédio como espelho do panorama mundial.

Coisa séria, que invade todo o espaço e tempo  de todos os media, com doutores e engenheiros a elocubrar sobre a  magna questão.

Visionados que estão os primeiros eembates, passada a primeira ronda de mata-mata, confirma-se o declínio da velha Europa e a ascensão das novas geografias.

Esqueçam a filosofia, a história ou a sociologia, a única análise certeira das relações internacionais é ver como a bola vai rodando.

E ela mostra que as antigas potências europeias  – embora umas ainda resistam melhor que outras – já não se aguentam nas canetas e não levam a melhor sobre as colónias e geografias antes dominadas.

Parecem idos os tempos em que a Europa era a dona da bola e decidia a formação das equipas e quem jogava.

Das  Américas, Ásia e África surge um novo jogo, ao qual é melhor que a mui civilizada Europa se vá habituando porque ele veio para ficar, e de caminho se acostume a que terá de partilhar com outros o que até aqui era a sua riqueza.

Vamos ter final e campeão do novo mundo?

E os povos onde ficam neste negócio? Ainda Fifados pelo velho mundo?

1 Comment

  1. Pedro,
    À “velha Europa” pertencem 4 (quatro) das 8 (oito) selecções que atingiram os quartos de final… Os “media”, de que o Manuel Simões hoje fala, com inteira propriedade, contribuem decisivamente para criar um certo “imaginário”, vago, nebuloso, subjectivo… e falso, que não resiste a uma análise mais atenta, mas se sustenta das “análises” parolas e repetidas “ad nauseam” dos “sábios” que entopem os ecrãs. O que nos obriga a uma atenção constante aos desafinados cantos destas sereias. Confesso que não é tema que me interesse ao ponto de comparar números e dados históricos, o que não significa que não goste do espectáculo. Mas, se alguém se der a tal trabalho, é capaz de chegar a conclusões assaz distantes das que pairam sobre as esforçadas “elucubrações” mediáticas…

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