POESIA AO AMANHECER A- 479 – por Manuel Simões

 

 

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                                   MATIAS MENDES

                                            ( 1949 )

            O FADO DAS ORIGENS

 

            Legítimo descendente dos quilombos,

            Trago nas veias o sangue de uma raça

            Que foi caçada e escravizada em massa

            E teve chagados de chicotes os lombos.

 

            Tenho as raízes distantes nos escombros

            De um povo arrastado à terrível desgraça

            Pelo ignóbil engodo de pérfida trapaça

            Que ainda hoje pesa nos meus ombros…!

 

            Trago de uma remota ancestralidade

            A mística tenebrosa das florestas virgens,

            A marca cruciante de uma antiga saudade…

 

            Sou o herdeiro da dor, das múltiplas vertigens,

            Do sangue derramado em prol da liberdade,

            Pelo meu povo privado das origens…!

 

            (de “Reflexos…”)

Poeta e ensaísta brasileiro. Conhecido como o poeta do Guaporé. Antologiado em “Reflexos da Poesia Contemporânea do Brasil, França, Itália e Portugal” (2000). Da sua obra poética: “As Emoções e o Agreste” (1982), “As quimeras e o destino” (1983), “Apologia da Negritude” (1999), “A lira do crepúsculo” (2007).

 

 

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