E já que falámos em busca do Graal virá a propósito mencionar dois projectos fílmicos em que eu e LF nos empenhámos com entusiasmo: o primeiro era uma ideia que já vinha de trás, e contara com a colaboração e a criatividade de um grande amigo nosso, o cineasta João Roque, que além de cineasta se revelara, em muito do que fazia e dizia, umapontador de mistérios e um sinalizador de vias. Tanto LF como João Roque já haviam trabalhado a fundo na elaboração dos guiões quando me convidaram para dirigir cinematograficamente o projecto, que teria o título genérico de Portus Graal e seria constituído por uma série televisiva de doze episódios com uma hora de duração, cada.
Neles LF entretecia, com o visionarismo de quem sabe, o elenco dos seus Mitolusismos com os mistérios do Graal representados na Arte portuguesa, como por exemplo nas mãos de S. João Evangelista em tábuas quinhentistas existentes no Museu Nacional de Arte Antiga e em Tomar, ou em pormenores esculpidos no claustro dos Jerónimos, ou no retábulo do Corpo de Deus (séc. XV) no Museu Machado de Castro, ou ainda nos cálices de ourivesaria conservados no Mosteiro de Refoios de Basto e no tesouro da Sé de Coimbra… Ainda tenho comigo esse precioso texto de 70 páginas, tal como saiu das mãos de LF e de João Roque!
O segundo projecto seria uma série, igualmente televisiva a realizar por mim, de catorze episódios cujos temas seriam os catorze painéis de azulejos que LF criou para a Estação dos Caminhos de Ferro do Rossio, sob o título de Mitos e Figuras Lendárias de Lisboa. Eu e LF tivemos várias reuniões com os responsáveis do Gabinete do Nó Ferroviário de Lisboa, que iria apadrinhar a produção das filmagens, na sequência da inauguração dos painéis em finais de 1996.
As negociações com a RTP para a realização do primeiro, e com o Gabinete Ferroviário para a realização do segundo, prosperavam em bom ritmo quando infelizmente tiveram de ser interrompidas por força do prematuro desaparecimento de João Roque em 1996, e quase em seguida de LF em 1998… Valete, fratres! O invólucro desapareceu mas a inspiração sidérea subsiste.