FRATERNIZAR – ATÉ OS BISPOS JÁ SE RIEM DO PAPA – por Mário de Oliveira

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Que santa ingenuidade a tua!

“Que santa ingenuidade a tua!” Foi com esta pequena frase que, um dia destes, comecei por responder ao post do papa Francisco no Twitter. Desde há meses, que o faço. Numa persistência que a própria Cúria romana já terá notado, se bem que nunca mo demonstre. Porque aquele potentado mundial quer lá saber de um ser humano, para mais presbítero da igreja clandestina de Jesus – uma realidade que o poder nos três poderes desconhece, porque não tem capacidade para ver o invisível – e que há muito já não vai em templos nem em altares, nem em nenhuma de todas aquelas coisas eclesiásticas de mau gosto, com que se entretêm os bispos residenciais e respectivos párocos?! Obviamente, ela está-se nas tintas para mim. Ainda que a minha persistência não deixe de lhe causar mossa, a começar, no Núncio de Sua Santidade, em Lisboa. Aquela minha frase foi dita a propósito de um post do papa Francisco sobre o Mundial de futebol, no Brasil, quando estavam em confronto as selecções da Argentina e da Alemanha, em que a Sra. Merkel, mai-lo seu bunker na Cúria romana, Bento XVI, venceram o papa Francisco, apesar dos repetidos apelos deste aos jovens de todo o mundo a confiarem em Deus (mas que Deus, papa? O teu, o do poder?!). Como se não se estivesse perante a final do mundial de futebol dos milhões da Fifa, ingenuamente olhado por Francisco, naquele seu post, como se esse futebol fosse ainda em tudo igual àquelas brincadeiras, com bolas de trapos, como as que eu fazia/ jogava na minha infância de menino pobre e muito feliz. Que santa ingenuidade!

 Mas esta santa ingenuidade do papa estende-se praticamente a toda a sua actividade de bispo de Roma/ papa. As frequentes entrevistas que dá, são um rol de santas ingenuidades que já fazem rir os jornalistas e os bispos residenciais, inclusive, em Itália, para já não falar dos cardeais, com um sublinhado para os da Cúria romana e seus muitos acólitos clérigos, senão mesmo, namorados, platónicos ou de facto, que, depois, inopinadamente, são promovidos a bispos residenciais, algures, e, a partir desses cargos e lugares, conseguem da Cúria tudo o que a sua vaidade e a sua ambição pessoal exigem. E como estão de rabos presos, salvo seja!, uns com os outros, é um tal fartar vilanagem, sem nada de adverso lhes acontecer. A não ser o manifesto descrédito das populações que, ultrapassadas todas as marcas da (in)decência, deixam-nos cada vez mais a falar sozinhos e a contemplar-se, como outros tantos narcisos, nas suas múltiplas fotos-espelho. As da sua vaidade e da sua vergonha.

 É por demais manifesto que o papa Francisco ainda pensa que lhe basta opinar nos jornais e nos outros grandes media, sobre os mais variados assuntos que dizem respeito à igreja católica romana e à situação do mundo internacional – ultimamente, o escabroso caso dos padres pedófilos, de que se conhece apenas a ponta do iceberg, é um dos mais abordados por ele e em palavras pouco habituais, por demais duras e implacáveis contra os chamados prevaricadores – para que a realidade da igreja católica romana e do mundo internacional mude. Não muda. E a verdade é que o papa Francisco passa, como um meteorito no firmamento, e o monstro que é a Cúria romana – sem dúvida, a maior máfia do mundo, pai de todas as outras! – continuará aí, cada vez mais devorador dos fiéis que ainda vão naquelas cantilenas e naqueles ópios religiosos e clericais, sem poupar sequer os milhões de clérigos que a servem em todo o mundo, entre os quais o próprio papa, o primeiro e o maior de todos. Aliás, nunca a sua santa ingenuidade foi tão longe, como quando aceitou ser papa e se fez chamar Francisco, sem dúvida, o melhor disfarce, a melhor máscara, de que a Cúria romana, na altura da sua eleição, estava mais do que necessitada.

 Pois bem. Tem que se dizer, aqui, sem quaisquer rodeios, por mais que o grosso dos intelectuais católicos romanos escreva/ diga o contrário, problema deles: A igreja católica romana é intrinsecamente má – tal como as igrejas cristãs todas – e, por isso, torna más as populações que aceitam integrá-la e servi-la. Tudo nela é poder, ideologia/ idolatria. Poder monárquico absoluto. O tentador e o dominador/ descriador dos povos e das populações. Como tal, é irreformável. Ou os povos fazem-na implodir, ou ela devora-os a todos. Sem apelo nem agravo. Como outros tantos sacrifícios/missas cruentas e incruentas. Fazê-la implodir, é preciso. Como? Comecemos por recusar duma vez por todas dar-lhe as nossas filhas, os nossos filhos, e uma parte dos nossos bens. Dispensemos todos os seus “serviços”. A implosão dela, é a implosão de todo o poder que tem nela a sua aparente legitimidade e o seu aparente reconhecimento. Ousemos assumir as nossas vidas nas próprias mãos. E tudo o mais vem por acréscimo. Determinação e firmeza, verdade e simplicidade, é preciso. Continuar a chafurdar em águas turbas, numa demencial fidelidade à tradição dos nossos antepassados, não é preciso!

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