JEAN-CLARENCE LAMBERT
( 1930 )
ELEMENTAL (fragmento)
Onde colheremos as flores
A não ser no fogo?
De ouro
De ouro na noite
Flores distantes
inatingíveis
Teu corpo miragem
Teu corpo milagre
Teus lábios como asas
O obscuro passa
Flores colhidas à meia-noite
Púrpura escondida
Umbral atravessado
Espuma de outro nascimento
… … … … … … … … … … …
Nas veias do espaço
É ela a vigia verdadeira
Quando a fonte deixa de flamejar
A água reencontra o seu corpo
Na água pura da origem
sedosa sobre a pele do mundo
(de “Poesia em Lisboa/2000”)
Poeta, ensaísta e dramaturgo francês. Participou no movimento “Cobra”, no surrealismo, na “non figuration”. Interessou-se pelo México através de Octavio Paz, que divulgou em França. Da sua obra poética destacamos: “Lo negro del azul” (1980), “Jardines Errantes” (1992), “Le jardin le labyrinte” (1995), “L’anti légende du siècle” (1999).

