“BIFES MAL PASSADOS” – JOÃO MAQUEIJO ANALISA OS INGLESES À LUPA – por Clara Castilho

livro&livros1Conhecia o nome de João Maqueijo devido a sua nova teoria, publicada em 1999 na revista Physical Review, que punha em questão a Teoria de Relatividade de Einstein, já lá vão 13 anos…Disso não sei falar, mas será um cientista reconhecido pois continua a trabalhar em Inglaterra,  integrado no Grupo de Física Teórica do Imperial College, em Londres. O anúncio de um novo livro com um título original,  Bifes Mal Passados, editado pela Gradiva,  a ser apresentado na Ler Devagar por Manuel João Viera, foi suficiente para até lá me deslocar.

 

bifes mal passados

Os momentos de conversa anteriores à apresentação, acompanhados de imperiais bem tiradas, foram muito interessantes e divertidos. Manuel João Vieira quando não está a “representar” quase parece tímido, João Maqueijo é um homem afável e aberto ao convívio. Lá fomos batendo nos ceguinhos que nos governam, a vários níveis, concordando no essencial. O apresentador correspondeu, depois ao papel que dele se esperava…. O autor, João Maqueijo, e quem esteve presente desmancharam-se a rir com a sua leitura de algumas partes do livro. Mas, com o seu humor certeiro afirmou: “No passado, os ingleses descreveram Portugal com coisas muito desagradáveis. Este livro é uma réplica. Demorou dois séculos, nas apareceu. Olho por olho, dente por dente”

Fiquemos com uma parte do livro:

“Agradeço a quem me leu até aqui por ter atura as graçolas de mau gosto, mas espero que tenha ficado claro que não são gratuitas – se as disse é porque esta é a única forma de lidar com este país sem recorrer ao suicídio.

Espero também que não se pense, por este livro repleto de calúnias, que não gosto dos ingleses. Seria muita ingratidão da minha parte. Foi esta a pátria adoptiva que me permitiu fazer o que gosto : a minha vida como físico e cosmólogo tem sido uma longa história de amor com as tradições científicas britânicas, que não são perfeitas, longe disso, mas também não é isto um amor platónico, é uma relação carnal que aprecia a sua verrugazita. Pelo contrário, se tivesse ficado em Portugal teria sido a asfixia.

[…] A sociedade inglesa é profundamente doentia….Desde um sistema de classes que será um dos mais rígidos e antiquados do mundo, às peneiras coloniais não reconstruídas, passando pelo racismo declarado e pela xenofobia autodestrutiva, este país tem peculiaridades quase medievais, tornando-o uma sociedade em decomposição”.

[…] Uma coisa que acho indubitavelmente boa nos ingleses +e o seu sentido de humor. E uma das particularidades do humor britânico é que frequentemente é self-deprecating, autodepreciativo: consiste em fazer pouco de si próprio, levado ao extremo que deixa os estrangeiros constrangidos.” […] Acabei por assimilar este aspecto da cultura britânica, esta capacidade para se ser autopejorativo e tornar isso um gracejo, e pode ser por isso que me afeiçoei verdadeiramente a este país. As pessoas às vezes levam-se demasiado a sério. Não há nada mais saudável do que rir às gargalhadas de si próprio!”

E o João percebeu pela conversa anterior, qual a dedicatória que me deveria fazer: “para a Clara Castilho, para que mantenha a sua saúde mental, neste universo de doidos”. O livro lê-lo-ei melhor na praia, como foi aconselhado. O facto é que, naquela tarde, a comunicação passou entre os presentes.

 

 

 

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