MOHAMMED BENNIS
( 1948 )
SILÊNCIO
Estas caravanas quando se alongam pelas minhas estradas
alongamento da manhã
num
copo
digo: acorda
Borboletas envolvem o calor do meu corpo
Vejo um silêncio cair como uma gota
de cima
da embriaguez
mais puro sempre mais puro
tenho ramos
representam para mim vaguear
Libertado
minha face do tempo que se fecha sobre um muro
sigo um fragmento de voz
que se perde na minha garganta
e deixa uma terra nua como se fosse o único
residente
em busca de luz
Talvez o brilho das palavras me chame
Ó tu bêbedo
bêbedo
(de “Poesia no Porto Santo”)
Poeta marroquino. Fundou, em 1974, a revista “Attakafa El Jadida” (La culture nouvelle), interdita após os motins de 1984. É presidente da “Maison de la Poésie” de Marrocos. Da sua obra poética (em árabe e em francês): “Ante-paroles” (1968), “Le don du vide” (1993), “Un fleuve des funérailles” (2000).

