Selecção e tradução de Júlio Marques Mota
A economia teve o pior trimestre desde a Grande Recessão
MATT O’BRIEN, 25 de Junho de 2014, Washington Post
The economy just had its worst quarter since the Great Recession…
Em 23 de Outubro de 2013, os navios porta-contentores à espera de serem descarregados envoltos numa névoa espessa no porto de Oakland na Califórnia. Uma diminuição nas exportações contribuiu para à contracção económica no primeiro trimestre de 2014. (Ben Margot/AP)
Bem, foi muito mau.
Verifica-se que, em termos de taxa anual, a economia se contraiu 2,9 por cento no primeiro trimestre de 2014, principalmente devido ao facto de as exportações terem sido fracas, fracos níveis de inventários, e o facto de que inesperadamente terá havido fracos gastos em saúde a que se acrescentam os efeitos de um inverno rigoroso. São praticamente três pontos percentuais a menos do que a estimativa inicial de 0,1 por cento de crescimento, o que torna este valor como sendo a maior revisão do princípio ao fim ao longo dos 30 anos em que temos calculado o produto interno bruto desta forma. E, como se pode ver no gráfico abaixo, isto foi o suficiente para fazer deste trimestre o pior trimestre para o crescimento económico desde que começou a retoma da economia em meados de 2009.
Mas não se preocupe em demasia. Se nos debruçarmos sobre os números, a economia, com toda a probabilidade, ainda está a crescer à mesma e lenta e constante taxa de 2 por cento, ritmo que se tem verificado para a recuperação global da economia .
Uma maneira de falar, como Jason Furman, Council of Economic Advisers Chair, sublinha muito bem é que o total de horas trabalhadas aumentou tanto quanto seria de esperar se a economia crescesse à taxa de 2% e não a contrair-se de 2,9 por cento. Como se pode ver abaixo, normalmente há uma relação muito forte entre o aumento de horas e o aumento do PIB, mas não terá então havido neste último trimestre. Provavelmente é só um pontinho nas estatísticas.
Assim, porquê um crescimento tão baixo? Bem, houve uma tempestade perfeita de um conjunto de factores pontuais — no caso do vórtice polar, literalmente assim — que inverteu temporariamente a economia do trajecto até agora seguido.
Os dois maiores impactos negativos foram também os que tendem a ser mais voláteis: as existências e as exportações. As empresas não precisam de gastar tanto dinheiro na reposição das existências e não realizaram tanto dinheiro nas suas vendas para o exterior. Estas coisas acontecem. Sucede apenas que elas aconteceram mais do que o que é habitual e mais do que se pensava inicialmente. Na verdade, como se pode ver abaixo, existências inventários ou inventários e exportações foram revistas em baixa num valor global de 1,8 p.p. do PIB entre a primeira e última estimativas.
Mas o último negativo foi na verdade algo de positivo — pelo menos a longo prazo. É o que significa menores gastos de saúde do que o esperado. Veja-se, as primeiras estimativas do PIB olharam o número de pessoas que estavam a ter seguros de cuidados de saúde do programa ObamaCare e assumiram que os gastos de saúde iriam na mesma proporção. Isso não aconteceu.
O gasto em despesas de saúde na verdade foi reduzido então de 0,16 pontos percentuais do PIB. Isso é porque os preços de serviços de saúde e de utilização não aumentaram muito, apesar do aumento de clientes de saúde — o que é uma boa notícia para o nosso orçamento a longo prazo, mas uma má notícia para o nosso crescimento a curto prazo.
Ainda aqui, há então um fanatismo macio quanto às expectativas de uma recuperação lenta. A economia deve ser capaz de resistir a mau tempo e ao mau comportamento das existências sem cair de regresso para o terreno do crescimento negativo. E deve ir crescendo mais rápido agora para compensar o anterior crescimento mais lento se o primeiro trimestre foi realmente um mau e passageiro momento, .
O crescimento de convergência deve aparecer, não é verdade, Godot ?
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Matt O’Brien is a reporter for Wonkblog covering economic affairs. He was previously a senior associate editor at The Atlantic.





