SOBRE OS LEOPARDOS QUE QUEREM BEM SERVIR BRUXELAS – DA ITÁLIA, FALEMOS ENTÃO DE UM BOM EXEMPLAR – TEXTO Nº 1- SE RENZI ESCUTASSE AS CORUJAS, de CARLO CLERICETTI

Selecção, tradução e adaptação por Júlio Marques Mota

mapa itália

Sobre os leopardos que querem bem servir Bruxelas – da Itália, falemos então de um bom exemplar

 Texto nº 1- se Renzi escutasse as corujas

Enquanto está a proceder e avançar com as reformas que perturbam a nossa estrutura institucional, a situação do país não pode ser mais alarmante, mas quem o afirma é então denunciado como uma “Coruja”. O crescimento esperado já foi colocado a ZERO e não haverá nenhum crescimento com estas políticas. Só resta uma alternativa.

Um artigo de Carlo Clericetti

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Parte III

(CONCLUSÃO)

Em Fevereiro de 2014 noticiava o jornal Público:

A partir de 2015, os contribuintes espanhóis com rendimentos até 12 mil euros por ano vão ficar isentos da cobrança do IRPF (equivalente ao IRS). Até agora, só não paga o imposto sobre o rendimento das pessoas singulares quem tem rendimentos brutos até 5151 euros por ano, limite que varia em função do número de filhos e de o contribuinte ter a seu cargo dependentes com incapacidade.

A medida foi anunciada nesta terça-feira no Parlamento pelo chefe de Governo, Mariano Rajoy, que prevê levar a reforma fiscal ao Congresso em Junho, a tempo de a medida entrar em vigor no início de 2015.

Em Julho de 2014 comentava um especialista da situação espanhola:

O pacote de medidas, a aguardar a aprovação parlamentar antes de fim ano, prevê, entre as outras medidas, o corte do IRS mais baixo, dos 24,75% para os 20% em 2015 e para os 19% em 2016. A taxa máxima , que tinha sido criada “temporariamente” de 52% após a crise, descerá no ano próximo ano para os 47% e para os 45% em 2016. De acordo com o governo, o contribuinte espanhol médio pagará cerca dos 12,5% a menos em impostos. Um milagre, não é verdade? Há igualmente benefícios fiscais até mesmo para as empresas, que verão o seu IRC descer dos 30% atuais para os 25% em do 2016, com excepção de bancos e das sociedades petrolíferas, que não terão reduções. As empresas recentemente constituídas terão reduções de 15% sobre os primeiros 300.000 euros de lucros.

Mas o aspecto mais interessante é que o pacote fiscal será efectuado numa situação de défice, estimado pelo governo em 9 mil milhões de euros e igual a 1% do PIB, com o objectivo do tipo de Laffer sobre a economia e com uma clara indiferença face às recomendações em sentido contrário pretendidas por Bruxelas.

O que se pode dizer desta manobra? Primeiro, que ela representa uma flagrante violação das restrições na Europa, e isto é muito interessante no sentido de que será importante esperar e ver as suas consequências. Evidentemente, o governo espanhol está a apostar na sua famosa “flexibilidade”, reinterpretada para consumo e uso interno e acima de tudo, posta em prática sem uma autorização formal de Bruxelas. Um jogo, face às regras, desencadeado pelo ciclo eleitoral do défice público. Estamos ansiosos para ver os desenvolvimentos e as possíveis reacções em cadeia, incluindo (eventualmente) a reacção dos mercados. E mesmo aqueles que de entre nós-mesmos, constituem exércitos de pavlovianos a fazerem ressoar o grito “fazer como em Espanha!”, são confrontados com a inevitável afirmação “mas têm menos dívida que nós!” “

Nós, naturalmente, nós não devemos imitar a manobra de Rajoy que ostenta a marca do seu partido político. Nós devemos apenas imitar o facto de que, face a alguém que nos empurra para o suicídio, é nossa obrigação fazer prevalecer o espirito de conservação. Então, basta cortar no orçamento (a revisão das despesas será bem, mas não para cortar por cortar mas apenas para obter uma mais eficiente alocação de recursos) e aumentar os investimentos em défice (Sim, em défice) num valor suficiente para realmente impulsionar a economia, pelo menos num ponto e meio do PIB, orientados estes investimentos para as áreas que têm os melhores multiplicadores e menores conteúdos em bens importados. A Comissão ficaria irritada? Vai haver uma boa razão. Reabre então o processo de infracção? Uma situação bem melhor do que estar a agravar a agonia.

E os mercados, não nos irão punir os mercados? Os mercados, ou seja certos

especuladores geralmente incompetentes de todo em questões de macroeconomia, poderão talvez assustar-se no início, mas de seguida, logo que o PIB aumente, e em vez de se estar perante uma taxa de crescimento nula poderemos estar com uma taxa de crescimento a +2, perceberão rapidamente que esta receita é bem melhor que a austeridade imposta.

Para tomar estas decisões não há mesmo necessidade de falar bem Inglês. É suficiente, isso sim, ter um mínimo de bom senso e um pouco de coragem.

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Uma montagem a partir do trabalho de Carlo Clericetti, Se Renzi ascoltasse i gufi, texto disponível em:

http://www.eguaglianzaeliberta.it/home.asp# e com excertos de:

1. Stefano Fassina, La prossima manovra di 23 miliardi: è insostenibile. Mi chiamano

gufo, loro sono struzzi, texto disponível em : http://www.huffingtonpost.it/stefanofassina/.

Sublinhe-se que Fassina é um economista e político italiano, membro do

secretariado nacional do Partido democrático.

2. Phastidio.net, La flessibile Spagna lafferiana, 18 de Julho de 2014.

3. Jornal Público, Fevereiro de 2014

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Para ler a Parte II desta montagem de Júlio Marques Mota sobre o texto de Carlo Clericetti, publicada ontem em A Viagem dos Argonautas, vá a:

http://aviagemdosargonautas.net/2014/08/08/sobre-os-leopardos-que-querem-bem-servir-bruxelas-da-italia-falemos-entao-de-um-bom-exemplar-texto-no-1-se-renzi-escutasse-as-corujas-de-carlo-clericetti-2/

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