Transcrevemos a escolha de Manuel Simões em Poesia ao amanhecer:
RUI KNOPFLI ( 1932-1997 )
Poeta moçambicano. Coordenador, com J.P. Grabato Dias, dos cadernos “Caliban” (1971). A sua produção poética veicula um percurso original no período que precede a independência. Obra poética: “O País dos Outros” (1959), “Reino Submarino” (1962), “Máquina de areia” (1964), “Mangas verdes com sal” (1969), “Ilha do Próspero” (1972), “O Escriba Acocorado” (1978), “O Corpo de Atena” (1984).
GRITARÁS O MEU NOME
Gritarás o meu nome em ruas
desertas e a tua voz será
como a do vento sobre a areia:
um som inútil de encontro ao silêncio.
Não responderei ao teu apelo,
embora ardentemente o deseje.
O lugar onde moro é um obscuro
lugar de pedra e mudez:
não há palavras que o alcancem,
gelam-lhe os gritos por fora.
Serei como as areias que escutam
o vento e apenas estremecem.
Gritarás o meu nome em ruas
desertas e a tua voz ouvirá
o próprio som sem entender,
como o vento, o beijo da areia.
Teu grito encontrará somente
a angústia do grito ampliado,
vento e areia. Gritarás o meu
nome em ruas desertas.
(de “Resistência Africana”)


