EDITORIAL – UMA SUPERPOTÊNCIA , UM MUNDO VELHO, COM VELHOS CONFLITOS

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A governação Obama é um enorme fracasso. Obama não tem sido pior governante do que Georges W. Bush. O seu problema, visto sob este ângulo, é que Bush foi muito mau, e Obama conseguiu ser eleito sob o efeito de  uma vaga de esperança de refrescamento e de introdução de ideias novas e mais generosas na vida política norte-americana, que se tem esvaído completamente, por uma série de razões, mas também por causa da sua tibieza quando se trata de contrariar os interesses estabelecidos da poderosa oligarquia norte-americana. Nem mesmo as  tentativas de melhorar o sistema de saúde norte-americano, de molde a torná-lo mais abrangente e incluir mais elementos das classes desfavorecidas, parecem estar a ter um êxito significativo. É verdade que a oposição republicana tem tentado bloquear tudo o que lhe parece fruto de uma visão de vida mais moderna e tolerante, e que o grande capital, através da especulação financeira e dos grandes negócios, tem criado problemas por todo o mundo. E que dentro do próprio partido de Obama, as dificuldades são muitas. Basta ler as declarações que Hillary Clinton, que parece querer entrar na corrida para as próximas eleições para presidente da república dos Estados Unidos, fez a The Atlantic, no domingo passado. Propomos que leiam:

http://www.theatlantic.com/international/archive/2014/08/hillary-clinton-failure-to-help-syrian-rebels-led-to-the-rise-of-isis/375832/

Isto promete. Se uma das personalidades com mais hipóteses de aparecer na corrida pelo lado dos democratas fala deste modo, como será do lado dos republicanos? Não será exagero concluir que, deste modo, o Médio Oriente irá de mal a pior. Sobretudo, as populações do Médio Oriente, à mercê de jogos e políticas inconfessáveis, como os das políticas de petróleos, vendas de armas e hedge funds. E pelo resto do mundo, será o mesmo. No leste da Europa, avivar os conflitos com a Rússia, até que esta se contente em ser um pequeno país euro-asiático, à volta dos Urais. Na Ásia, o permanente conflito sino-japonês. A Europa e a América do Sul, pátios das traseiras do reforçado imperialismo da única superpotência, que faz tudo para manter o seu estatuto.

Não é antiamericanismo falar como o fizemos acima. Chamar a atenção dos norte-americanos para as responsabilidades que têm no estado de coisas que reina ao nível planetário é a melhor ajuda que se lhes pode prestar.  E que para contribuírem para uma melhoria efectiva no estado de coisas têm de derrubar o poderio da alta finança, acabar com o complexo militar-industrial e, na vida política, pôr fim àquilo que é, na prática, um sistema bipartidário anquilosada, é uma necessidade, ao nível nacional e mundial. Todos os dias temos provas disso.

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