CONTOS & CRÓNICAS – “Egas Moniz (1080? -1146)” – por José Brandão

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Segundo nobiliários medievais e as inquirições do século XIII, Egas Moniz foi o aio de Afonso Henriques. Casado com D. Teresa Afonso, filha do conde das Astúrias, é-lhe confiado, para o educar, o futuro rei D. Afonso Henriques. Egas Moniz tinha ao seu serviço cavaleiros vassalos. É Egas Moniz que dá apoio a D. Afonso Henriques, na luta contra sua mãe e os Travas que a dominam.

Quando, em 1128, durante o cerco de Guimarães, dele se afasta, é para ir a seus domínios de Riba Douro alistar gente de luta, com que se apresenta em S. Mamede a reforçar o ânimo e a tropa de D. Afonso, quando já este vinha em retirada, dando-lhe, assim, a possibilidade de triunfo. E, a 24 de Junho de 1128, nos Campos de S. Mamede, travam-se em batalha as forças de D. Teresa e as forças do Infante. Ao lado do infante, estavam Egas Moniz, estavam os Sousas, estavam os da Maia – estava D. Paio Mendes, muito possivelmente, um dos grandes promotores da revolta contra D. Teresa e a «facção galega». A comandar as forças do Infante segue, o que se sagraria vitorioso, Gonçalo Mendes da Maia, cognominado O Lidador. Pelo esforço, vontade e bravura do Infante e dos dois irmãos, Paio Mendes «O Arcebispo» e Gonçalo Mendes O Lidador, nasce então o Reino de Portugal. É neste cerco, ou no que se terá repetido a seguir ao reencontro em Arcos de Valdevez, que se deverá situar o lance de lealdade de Egas Moniz. Afonso Henriques, de quem foi desde 1132 o escudeiro e mordomo, e a quem talvez tivesse acompanhado a Ourique e certamente à reconquista de Trancoso, recompensou-lhe largamente a prudência dos conselhos e as forças de apoio, com doações e domínios, honras e regalengos ou reguengos.

A sua actuação causou em Afonso Henriques a mais justificada admiração e o mais alto reconhecimento, levando-o a nomeá-lo mordomo-mor e vedor. Egas Moniz terá vivido em Bertiande, onde se aponta uma casa que parece ter sido por ele habitada, assim como o terão sido os paços que a tradição diz ter construído junto do mosteiro de Paço de Sousa, numa de cujas capelas está sepultado, como o mais generoso dos seus beneméritos protectores. São as figuras dos altos-relevos do sarcófago com um fragmento de baraço ao pescoço, que se invocam, para justificar a lenda célebre que descreve Egas Moniz, acompanhado pela sua esposa e seus dois filhos, todos os quatro com uma corda ao pescoço, oferecer as suas próprias vidas ao rei de Leão. Quando em 1127 o rei de Leão, Afonso VII, veio cercar D. Afonso Henriques na cidade de Guimarães, com forças muito superiores, reconheceram os cavaleiros Portugueses que o seu “rei” não poderia resistir-lhe. Foram por isso ter com o rei de Leão, e pediram-lhe que levantasse o cerco, prometendo que D. Afonso Henriques lhe prestaria vassalagem. Por essa promessa ficou responsável Egas Moniz.

Como D. Afonso Henriques, por vários motivos, esquecesse a promessa feita pelo seu aio, Egas Moniz foi a Toledo acompanhado pela sua esposa e seus dois filhos pôr as suas vidas nas mãos do rei de Leão. Esta lenda que descreve Egas Moniz, com a família, a resgatar a promessa de Afonso Henriques junto do rei de Leão carece totalmente de fundamento histórico. É incerto que tenha ido, com a família, todos de corda ao pescoço, oferecer a sua vida ao rei de Leão por o infante português ter quebrado a palavra dada, de que ele seria o garante. E mais incerto ainda que tenha sido ele o aio de D. Afonso Henriques. Em todo o caso, sabe-se que foi um dos mais poderosos nobres portugueses da sua época e que deu a Afonso Henriques um precioso apoio na sua tomada do poder.

Morreu em 1146.

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