“A quantidade de cobertura da mídia que dois americanos infectados pelo Ebola receberam foi extraordinária. Talvez seja a maior atenção recebida por um estado de saúde na mídia moderna. Enquanto isso, na África, o surto atual de Ebola se espalha apesar dos esforços locais para controlar a doença, ressaltando nossa confusão entre ameaças de saúde reais e imaginadas”.
O trecho acima é o início de um artigo sobre o Ebola publicado pela Forbes, de autoria de Steve Brozak, presidente de um banco de investimento e empresa de pesquisa especializada em biotecnologia e na indústria farmacêutica. Brozak fala sobre o tamanho do surto: em apenas oito dias, entre 24/7 e 1/8, foram identificados 1.285 novos casos na África e 118 pessoas morreram vítimas da doença. Para além da ameaça real e assustadora do Ebola, no entanto, a primeira frase de seu texto enfatiza um fenômeno impulsionado pela mídia e alimentado pelas redes sociais.
É como resume a blogueira e escritora Leslie Savan em artigo na revista The Nation: “dar a uma doença o ‘tratamento O.J.’ é um sintoma de uma doença da mídia para a qual parece não haver cura”. Leslie se refere ao circo montado pela mídia dos EUA há 20 anos durante o julgamento do jogador de futebol americano O.J. Simpson, acusado de assassinar a ex-mulher.