NESTE DIA… Em 16 de Agosto de 1867, nasceu António Nobre

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António Nobre  nasceu no Porto em 16 de Agosto de 1867. Poeta ultrarromântico constitui uma das mais relevantes referências da poesia simbolista. A sua principal obra foi a colectânea    (editada em Paris, 1892) Faleceu com apenas 32 anos de idade, após prolongada luta contra uma tuberculose pulmonar.

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Capa de , de António Nobre, publicado em 1892

Agradecendo ao Projecto Gutenberg, e pedindo a atenção para a nota que vem no fim, apresentamos a seguir também um dos mais famosos poemas de António Nobre:

 

*O SOMNO DE JOÃO*

 

O João dorme… (Ó Maria,
Dize áquella cotovia
Que falle mais devagar:
Não vá o João, acordar…)

 

Tem só um palmo de altura
E nem meio de largura:
Para o amigo orangotango
O João seria… um morango!
Podia engulil-o um leão
Quando nasce! As pombas são
Um poucochinho maiores…
Mas os astros são menores!

 

O João dorme… Que regalo!
Deixal-o dormir, deixal-o!
Callae-vos, agoas do moinho!
Ó mar! falla mais baixinho…
E tu, Mãe! e tu, Maria!
Pede áquella cotovia
Que falle mais devagar:
Não vá o João, acordar…

 

O João dorme… Innocente!
Dorme, dorme eternamente,
Teu calmo somno profundo!
Não acordes para o mundo,
Póde affogar-te a maré:
Tu mal sabes o que isto é…

 

Ó Mae! canta-lhe a canção,
Os versos do teu irmão:
«Na Vida que a Dor povoa,
Ha só uma coisa boa,
Que é dormir, dormir, dormir…
Tudo vae sem se sentir.»

 

Deixa-o dormir, até ser
Um velhinho… até morrer!

 

E tu vel-o-ás crescendo
A teu lado (estou-o vendo
João! Que rapaz tão lindo!)
Mas sempre, sempre dormindo…

 

Depois, um dia virá
Que (dormindo) passará
Do berço, onde agora dorme,
Para outro, grande, enorme:
E as pombas que eram maiores
Que João… ficarão menores!

 

Mas para isso, ó Maria!
Dize áquella cotovia
Que falle mais devagar:
Não vá o João, acordar…

 

E os annos irão passando.

 

Depois, já velhinho, quando
(Serás velhinha tambem)
Perder a cor que, hoje, tem,
Perder as cores vermelhas
E for cheiinho de engelhas:
Morrerá sem o sentir,
Isto é deixa de dormir…
Acorda e regressa ao seio
De Deus, que é d’onde elle veio…

 

Mas para isso, ó Maria!
Pede áquella cotovia
Que falle mais davagar:

 

Não vá o João, acordar…

 

Pariz, 1891. In Só.

 

The Project Gutenberg EBook of Só, by António Nobre

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Title: Só

Author: António Nobre

Release Date: November 30, 2005 [EBook #17193]

Language: Portuguese

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Produced by Ricardo Diogo and Tiago Tejo. Edited by Rita Farinha (Biblioteca Nacional Digital—http://bnd.bn.pt). (This file was produced from images generously made available by National Library of Portugal (Biblioteca Nacional de Portugal).)

Je déclare que M. Francisco de França Amado, libraire-éditeur, 141, rua da Calçada, Coimbra: est mon unique représentant et dépositaire de o «Só», pour le Portugal.

L.V.

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