EDITORIAL – O CAOS ORGANIZADO – II

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O défice e a dívida agravam-se, apesar de todas as austeridades. O primeiro-ministro lamenta-se porque a Maternidade Alfredo da Costa continua aberta. O sindicato dos enfermeiros diz que faltam 25 000 enfermeiros nos hospitais e centros de saúde. Aumenta o volume de impostos cobrados, e parece que vamos ter mesmo aumento das taxas respectivas, excepto das referentes aos impostos sobre o capital  e transacções financeiras. Vamos ter orçamento suplementar. O Ébola avança.  Lá fora, temos um califa no Médio Oriente, que pretende formar um reino que chega à Península Ibérica. Parece que apareceu outro califa na Nigéria. Os ucranianos insistem em subjugar os pró-russos, e acusam a Rússia de os invadir. No Médio e no Próximo Oriente a situação vai de mal a pior. Os palestinianos continuam a ser massacrados. A escolha que lhes querem impor é clara: ou fogem ou morrem. Se reagem, são acusados de terroristas. Obama, a braços com problemas internos, já fala em voltar a fazer guerra na Síria e no Iraque.

No resto do mundo também não faltam problemas. O grande temor é que volte a ocorrer uma guerra generalizada, tipo guerra mundial do século XXI, que poderá ser ainda mais mortífera e destruidora que as do século XX. A ONU, o organismo que, entre outras funções, deveria velar pela paz mundial, parece cada vez mais impotente. A superpotência, com um presidente volúvel, desejoso de salvaguardar a sua imagem, e temeroso dos seus adversários internos, já se prepara para as próximas eleições. Continua a querer apresentar-se como modelo de democracia e liberdade, enquanto no seu interior se agravam os conflitos sociais e raciais, que chegaram a ser dados como ultrapassados. A Europa continua a ser procurada por muitos fugitivos de outros continentes, que a ela pretendem chegar muitas vezes em condições dramáticas, onde um número considerável perde a vida. Aspiram, claro, a uma vida melhor, a que, infelizmente, a maioria não terá acesso. Por aqui as coisas também não estão fáceis.

A senhora Lagarde pretende que os salários subam 3 % na Alemanha. Já se viu tudo. O FMI alinhado com os sindicatos. Mesmo que seja só na Alemanha, é digno de nota.

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