In Memoriam de João Grave – por Joaquim Palminha Silva

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João Grave, poeta, jornalista e fecundo romancista, da “escola” naturalista e, portanto, um pouco no seguimento dos métodos descritivos do escritor francês E.Imagem7 Zola. Cultivou o romance histórico, mas foi no romance de declaradas intenções sociais, um pouco panfletário, que se notabilizou, tendo adquirido um público leitor notável para a época. Percursor do realismo que surgiu nos anos 40 do século XX? Talvez, hoje o possamos assim considerar. Em 1903 publicou o romance Os Famintos, que veio a ter três edições. A Eterna Mentira (1904), o Último Fauno (1906) e o romance Gente Pobre, novamente com três edições.

Imagem8Falecido há 80 anos, lembramo-lo porque tantas e tão disparatas são as comemorações sobre a I guerra mundial e a participação de Portugal nesse conflito que João Grave corria o risco de ficar esquecido: – Com a edição do romance O Mutilado (1918) João Grave foi o 1º escritor português a debruçar-se sobre a guerra de 1914-1918, com algum acinte crítico.

            Nascido em Vagos no ano de 1872, tendo feito os seus estudos liceais em Aveiro, veio a formar-se em Farmácia, no Porto. Não foi todavia como farmacêutico que se notabilizou, mas sim como romancista e director da Biblioteca Pública Municipal do Porto. Incansável trabalhador, deixou vasta obra de biblioteconomia, catálogos, ensaios interpretativos de manuscritos inéditos, além de um estudo (único no género) sobre A Ourivesaria em Portugal.

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