BERNA REALE, UMA DAS ARTISTAS DA EXPOSIÇÃO “ARTISTAS COMPROMETIDOS? TALVEZ” por Clara Castilho

Já aqui falámos da exposição patente na Fundação Gulbenkian até dia 7 de Setembro, “Artistas Comprometidos? Talvez”. Está Integrada no programa de Cultura Contemporânea, Futuro Próximo, dedicado à investigação e criação na Europa, em África, na América Latina e Caraíbas. Iremos falar de alguns dos artistas que a compõem.

Hoje, cabe a vez a Berna Reale . É brasileira, estudou arte na Universidade Federal do Pará. Entre as exposições de que participou destacam-se Bienal de Cerveira, 2005; Bienal de Fotografia de Liège, 2006, From the Margin to the Edge, na Somerset House, Londres, 2012; e Amazônia – Ciclos da Modernidade, no Centro Cultural Banco do Brasil, Rio de Janeiro, 2012. Recebeu o Grande Prêmio do Salão Arte Pará, Belém, 2009, e foi selecionada pelos programas Rumos Itaú Cultural Artes Visuais 2012-2013 e Pipa 2012-2013. Vive e trabalha em Belém.

brena real

Berna Reale reflete sobre o mundo e a vulnerabilidade humana. É também perita criminal, atividade levada a cabo no tecido social que concretizou a problemática da dicotomia centro/periferia como o tema da sua obra.

Nesta exposição, a violência é a matéria do seu trabalho e é-o no sentido de investigar os múltiplos mecanismos da violência, a sua relação com o crime, o crime como parasita do espaço público, seja ele real ou da comunicação mediática. O seu trabalho alicerça-se na prática de performance, que emergindo das décadas de 60 e 70 surge de novo como uma arte interventiva, física e corporalmente. Tal como acontece na body art, a artista utiliza o seu corpo, afirma a sua presença no espaço público e confia essencialmente a difusão das suas perfomences em vídeo, como modelo de prolongar a performance para lá do happening.

O trabalho em vídeo consta de 3 partes, em que ela própria é a única figura, sempre numa actividade que se processa no meio dos transeuntes:

Um cavalo pintado de vermelho percorre ruas desertas, com um soldado amordaçado, sem expressão qualquer no seu rosto. Uma mulher, sempre impenetrável, anda pelo meio da lama dos bairros de lata, numa quadrilha de porcos que vão guinchando sem parar, sob o olhar espantado dos habitantes. Um ser andrógeno, de cabelo curto e batina preta empurra uma carreta para onde vai atirando ossos que apanha do chão. De novo, com um rosto sem expressão. Incomoda, faz-nos pensar em muitas situações, do passado e do presente e qual a relação entre os “protagonistas” e as outras pessoas que ou assistem, ou são também protagonistas, ou são as vítimas.

Foi finalista do PIPA (Prémio Investidor Profissional de Arte) 2013, vencedora do PIPA Online 2012 e indicada para o PIPA 2014. O vídeo foi  produzido pela  Matrioska Filmes com exclusividade para o PIPA 2014.

 

 

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