Barack Obama declarou que os Estados Unidos ainda não têm uma estratégia para enfrentar o ISIS – Estado Islâmico. Obviamente que tem que esclarecer muita coisa antes de se aventurar numa guerra numa região complicada, contra um inimigo cujo poderio parece ter apanhado de surpresa quase toda a gente. Sugere-se que vejam o primeiro link abaixo.
A questão é realmente complicada. Pensar uma estratégia que sirva de base a uma presença política e militar numa região de importância vital como é o caso do Médio Oriente não é trabalho que se faça em poucos dias. Na realidade, terá de ser pensada tendo em conta a experiência anterior, procurando corrigi-la sempre que necessário. Até ao momento, a acção na região tem sido pensada no sentido de manter a presença norte-americana como predominante, utilizando os ensinamentos da experiência ocidental anterior, nomeadamente a experiência britânica. Houve algumas adaptações, sobretudo a seguir à Segunda Guerra Mundial, para enfrentar a influência da URSS e o socialismo. Contudo, como o mostraram as guerras do Iraque, os Estados Unidos têm gozado de uma grande liberdade de acção na região, apenas contrariada pelo Irão, e um tanto pela Síria, sobretudo após a morte de Nasser. Os norte-americanos, para alcançarem os seus objectivos, procuraram tirar partido das divisões do Islão e apoiarem-se nos sunitas, a partir da Arábia Saudita e dos sultanatos do golfo. No Iraque aceitaram um governante xiita, Nuri ai-Maliki, um xiita, tendo em conta que este não simpatiza com o Irão, e procurando ir ao encontro da vontade da maioria da população, mais próxima do xiismo. Este governou até recentemente.
Estes factos ajudarão a explicar a aparição do ISIS, mas não totalmente. Sem dúvida que a presença de um xiita à frente do governo de Bagdad terá desagradado aos líderes sunitas, mas não chega para ajudar a compreender a aparição tão brusca de um forte poder militar com enorme capacidade militar e financeira, e que parece exercer forte atracção, mesmo longe do Próximo e Médio Oriente (ver segundo link abaixo). Não é exagero levantar a hipótese de que usufrua de forte apoio, mesmo de gente influente no próprio Ocidente.
http://www.theguardian.com/world/2014/aug/28/obama-us-strategy-isis-iraq-syria
http://www.slate.com/blogs/the_slatest/2014/08/28/minnesota_isis_abdirahmaan_muhumed_killed_in_syria.html?wpsrc=slatest_newsletter

