A DIPLOMACIA ZEROPOLAR DE LAURENT FABIUS – por HADRIEN DESUIN

Selecção e tradução de Júlio Marques Mota

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A diplomacia zeropolar de Laurent Fabius

Bercy mudou para o cais de Orsay?

Hadrien Desuin, Revista Le Causeur 

La diplomatie zéro-polaire de Laurent Fabius – Bercy a-t-il déménagé quai d’Orsay? 2 de Maio de 2014

A 15 de Janeiro, Laurent Fabius foi  o convidado do jantar da La Revue des Deux Mondes. No seu número de Maio, o discurso do primeiro dos nossos diplomatas é reproduzido com o título  “as prioridades da política estrangeira da França “. Para aqueles que se sentiriam perplexos ou mesmo perdidos face aos sobressaltos da  estratégia francesa desde há dois anos, o título é aliciante. Infelizmente, trata-se mais de um  reflexo de um pensamento diplomático que mais parece  um saco onde se mete tudo  em vez de ser um pensamento que estabelece prioridades.  Teóricos e práticos das relações internacionais, abstenham-se.

Imediatamente, a frase que  dá o tom: “A França já  não é a maior  nação do mundo e no entanto é suficiente ler a imprensa anglo-saxónica para constatar que nos fazem muitas vénias quanto à política estrangeira.” Sem complexos, Laurent Fabius avalia a sua própria política em relação aos comentários dos jornalistas anglo-saxónicos. Os falcões de  Times ou Fox  news estão satisfeitos e é necessário que  se saiba  porquê.

Para explicar estes elogios, Fabius elabora um quadro caricatural da história diplomática contemporânea: anteontem um mundo bipolar e ontem um mundo unipolar onde todo era simples. Hoje, “o caos zeropolar “, diz-nos  o nosso diplomata principiante. Um mundo onde a França está bem sozinha a desempenhar  o papel de justiceiro desde  que  os americanos cobardemente abandonaram esta  causa. “A França é um dos únicos países que pode intervir, cuja palavra seja acção” declama sem se estar a rir Laurent Fabius, antes de especificar  os meios desta acção em torno  de quatro objectivos:

Em primeiro lugar, paz e segurança ao liderar a guerra contra o terrorismo na África e a luta contra a proliferação de armas de destruição massiva (ele cita o Irão mas não menciona a Síria…). Donald Rumsfeld, sai desse corpo!

O segundo objectivo diplomático é um consensual doce em termos de ambiente. Na conferência internacional que se irá realizar em Paris, “muitas decisões que vamos tomar vão ser ditadas por este objectivo“. E para resultados antecipadamente  conhecidos de antemão ou seja: uma declaração de intenções sem consequências  (mas especialmente um bom fórum onde Ségolène Royal vai andar à cotovelada para ficar bem colocada na imagem final).

O terceiro objectivo é Europa. Ela deve “avançar concretamente sem nos perdermos  em  inúteis e longas discussões institucionais.” Porquê  as instituições europeias? Porque são mais concretas?  Perguntamos nós.  Isso poderia recordar más lembranças para o nosso diplomata-em-chefe. O referendo de 2005, por exemplo…

Finalmente, o quarto objectivo, a única e verdadeira  prioridade para  Laurent Fabius: a diplomacia económica. Contratos na China, Arábia Saudita, Turquia ou em Cuba, o discurso sobre os direitos humanos rechaçados  sobre todos os tons  em Paris, a desaparecerem logo que se fala  de dinheiro. Mas trata-se de uma  boa guerra. Depois da derrota nas eleições municipais, François Holland também terá chegado a pensar em  Fabius para ocupar Bercy ou  Matignon. No fundo,  ele sabe  bem que a economia é o seu único e verdadeiro interesse. Mas compreenda-se, a economia francesa é um pouco irritante. Então, o que Laurent  Fábius fez [como Portas em Portugal] foi mudar  o nome do seu Ministério:  “Ministério das Relações Exteriores e do Desenvolvimento Internacional”. E porque não ” Ministério das Finanças Estrangeiras” com Fleur Pellerin como embaixadora da fabiusice internacional? Na realidade, as grandes questões da paz e da segurança são periféricas na cabeça do responsável pela  nossa diplomacia. Aliás,  François Hollande prefere  as análises de Jean-Yves Le Drian sobre os dossiers sobre a Ucrânia , Irão, Síria, registos africanos…

Como  prova, enquanto que o Congresso americano se prepara  para estabelecer uma lista de sanções que atingiriam duramente  o gabinete do Kremlin, François Hollande de acordo com o jornal  Le Figaro, receberá Vladimir Poutine a jantar no Elysée, na véspera do 70ª  aniversário do desembarque. Sem dúvida, é uma  ocasião para  tranquilizar os estaleiros navais de St. Nazaire.  O Czar das Rússias e o nosso presidente normal partilhará em seguida, na  Normandia a tribuna em companhia de uma quinzena de chefes de Estado. Laurent Fabius entre Vladimir Poutine e a Rainha da Inglaterra, uma foto, uma selfie,  inesquecível sem dúvida!

Porque sobre o dossier  ucraniano, Francois Hollande (como Obama) está a ser pressionado para um virar de página: “Não devemos considerar apenas a Rússia de hoje com a  qual temos, de resto,  uma grande  amizade mas também para a Rússia que foi solidária com a França na dura prova e que pagou um pesado tributo para lutar contra o nazismo.” De Gaulle no texto! Ao conselho europeu de Bruxelas de 21 de Março, um  tal arcaísmo suscitou a santa cólera da Liga dos direitos do Homem: “A vinda de Vladimir Poutine não deve aparecer como uma caução do seu regime “. Não é a imprensa anglo-saxónica que dirá o contrário…

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Ver o original em:

http://www.causeur.fr/la-diplomatie-zero-polaire-de-laurent-fabius-27344.html

 

 

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