NESTE DIA… NASCIA ANTÓNIO LOBO ANTUNES

nestedia1
Nós não inventamos nada. Quando estamos a fazer um livro estamos a falar de nós mesmos. É você que está no livro, através daquelas vozes. Ou melhor, é apenas uma voz.”

 António Lobo Antunes nasceu em Lisboa no dia 1 de Setembro de 1942 e é actualmente considerado como um dos mais importantes autores da literatura portuguesa dos séculos XX e XXI.

 lobo antunes

Seguindo as pisadas do pai, licenciou-se em Medicina, tendo-se especializado em psiquiatria. Entre os anos de 1970 e 1973 fez a guerra colonial, assunto de que muito se ocupa nos seus livros.

 De volta a Lisboa, vamos encontra-lo n Hospital Psiquiátrico de Miguel Bombarda, em Lisboa.

Estreou-se com “Memória de Elefante” e “Os Cús de Judas”, em 1979, obras que tiveram êxito imediato junto do público e da crítica. Escreveu mais de 30 livros, desde romances, poesia, e mais tarde crónicas publicadas na imprensa que têm sido reunidas em colectâneas.

Nas suas obras fala abertamente de pessoas da sua família, ironizando, nomeadamente com a relação com a igreja católica:

 “Na minha família os animais domésticos não eram cães nem gatos nem pássaros; na minha família os animais domésticos eram pobres. Cada uma das minhas tias tinha o seu pobre, pessoal e intransmissível, que vinha a casa dos meus avós uma vez por semana buscar, com um sorriso agradecido, a ração de roupa e comida.

Os pobres, para além de serem obviamente pobres (de preferência descalços, para poderem ser calçados pelos donos; de preferência rotos, para poderem vestir camisas velhas que se salvavam, desse modo, de um destino natural de esfregões; de preferência doentes a fim de receberem uma embalagem de aspirina), deviam possuir outras características imprescindíveis: irem à missa, baptizarem os filhos, não andarem bêbedos, e sobretudo, manterem-se orgulhosamente fiéis a quem pertenciam”.

É um dos escritores portugueses mais traduzidos e lidos internacionalmente, tendo recebido numerosos prémios.

No dia 27 de Outubro de 2013, no Centro Cultural de Belém, que lhe era dedicado, Maria Alzira Seixas lembrou que ALA disse várias vezes que gostaria de inventar uma nova forma de escrever, uma nova forma de arrumar as palavras. E que afirmara: “Quando lemos um bom escritor é para nos conhecermos a nós mesmos”.

 

Leave a Reply