Mal vai a sociedade, quando perde o carinho, o respeito pelas professoras, pelos professores. É uma sociedade progressivamente desumana, sem valores, sem afectos, sem causas. Vimos de um tempo em que ser professora, professor, era missão, muito mais do que profissão. Hoje, com os sucessivos governos, povoados de gente sem valores, a não ser os da Bolsa e os do FMI/ BM – o exemplo mais acabado desta vilania política é a dupla PP-PC – ser professora, professor já nem profissão é. É a via mais curta para um viver em constante instabilidade, sem possibilidade de criar família, residência continuada, relacionamentos afectivos duradouros. De missão nobre, complementar da nobre missão de educar, responsabilidade primeira das mães, dos pais, tornou-se uma profissão degradada, vilipendiada, deprimida, robotizada. Não se estranhe, então, que a Escola seja um local de gestação de futuros medíocres, gente analfabeta em valores humanos, em causas, em afectos. E que o inverno e a noite povoem as nossas vidas e as mentes-consciências das crianças, dos adolescentes, dos jovens. Quando as mães, os pais o são cada vez menos em qualidade e em quantidade, e as professoras, os professores vivem sem o mínimo de estabilidade e de planeamento da sua missão, é o que dá. Que saudades do meu Professor Paiva, a minha segunda parteira – a primeira, é a minha mãe, Ti Maria do Grilo – da primeira à quarta classe! Que saudades! Mataram as professoras, os professores e ninguém chora. Em seu lugar, puseram aí a dupla PP-PC a pavonear-se de cidade em cidade e nas tvs, travestidos de chefes de Governo. Que despudor político!…