EDITORIAL – Escócia e Catalunha duas velhas novas nações.

logo editorialTodos os povos abrigam  no imaginário colectivo o sentimento de que são únicos, diferentes, Os portugueses não fogem a essa regra e, de uma maneira geral, ao inventariarem o que os torna diferentes encontram mais vícios do que virtudes. O termos conseguido manter a independência por quase nove séculos, considerando a ausência de fronteiras naturais, a vizinhança de um estado voraz e que se construiu com base na absorção dos vizinhos,  é proeza notável e que constitui um dos traços distintivos que não são inventados.

Temos abordado mais a questão catalã do que a escocesa. As diferenças entre a situação das duas nações são grandes e as diferenças de comportamento entre os dois estados centrais são também apreciáveis. O reino da Escócia, com origens no século VI, só no século XI as tribos ou clãs se unificaram e se organizaram socialmente. Celtas, cristianizados, tendo o gaélico como idioma, a Escócia foi sendo anglizada embora resistisse à assimilação pela Inglaterra – tal como Portugal, faz alianças com os inimigos do inimigo. A dinastia dos Stuart que desde finais do século XIV ocupava  o trono, aliou-se a França. Mas a política de casamentos que colocou Filipe II, neto de D. Manuel, no trono de Portugal, obrigou a rainha Maria Stuart a abdicar em seu filho, Jaime VI que subiu ao trono inglês como Jaime I.

E aqui, a diferença da reacção portuguesa – nunca aqui se aceitou os reis castelhanos – Filipe I falava português sem acento, pois bebera o idioma no leite de sua mãe, Isabel, infanta de Portugal, filha de D.Manuel. Casada com Carlos V, foi rainha de Castela e imperatriz da Alemanha, grandeza que colocou durante sessenta anos Portugal sob domínio castelhano. A nobreza ia aceitando o jugo estrangeiro e assim se manteve até que os seus privilégios foram beliscados. O patriotismo das elites é condicional . Na Catalunha, enquanto grande parte do povo anseia pela independência, há políticos capitalizando esse anseio e usando-o como pressão sobre o governo central. Na Escócia, os prós e os contras da independência estão a ser devidamente ponderados. Mas, nas sondagens, há uma subida constante do sim o que está a provocar nervosismo nos mercados financeiros.

 

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