EDITORIAL – A FORÇA  DE REACÇÃO RÁPIDA DA NATO

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Existe uma vontade grande de manter a tensão na Europa Oriental.  Antes de rebentar a crise da Ucrânia houve a questão do escudo de defesa anti-míssil da NATO, que chegou a ser justificado com a ameaça do Irão.  Só não percebeu que o escudo na realidade é dirigido contra a Rússia quem não quis perceber. O rebentar da crise da Ucrânia agravou a tensão. A questão que se põe é esta: será que alguma vez o conflito leste oeste deixou de estar na agendas, mesmo período que se seguiu  ao colapso da União Soviética, em 1989?

Obama esteve em Talinn, capital da Estónia, encorajou a adesão da Ucrânia à NATO, e recordou o artigo V do Tratado do Atlântico Norte, respeitante à defesa colectiva dos países que o assinaram. Após este discurso, é duvidoso que os acordos entre os beligerantes (decorrem conversações em Minsk com a presença dos separatistas, russos, ucranianos e a OSCE – Organização para a Segurança e Cooperação na Europa) consigam ter efeitos práticos, dado a influência que os Estados Unidos têm no governo de Kiev.  Propomos a leitura das notícias que podem ser acedidas pelos links abaixo:

http://www.dn.pt/inicio/globo/interior.aspx?content_id=4109510

http://www.dn.pt/inicio/globo/interior.aspx?content_id=4106744&seccao=EUA%20e%20Am%E9ricas

Entretanto surgem notícias sobre a constituição de uma força móvel de intervenção rápida, também sob a égide da NATO. Com certeza que será uma força de grande mobilidade e capacidade de destruição. Talvez alguns queiram invocar o espectro do ISIS para justificar a sua aparição. Será de recordar que os países do Próximo e o Médio Oriente não são membros da NATO, e que assim será difícil justificar, pelo menos com uma aparência mínima de legalidade, que a novel força, ou outra qualquer ligada à NATO, vá à Síria ou ao Iraque acabar com o recente califa, ou resolver outro problema qualquer. É certo que a legalidade dificilmente constituirá um obstáculo, como se tem visto. E muito menos o interesse dos povos. Entretanto David Cameron pretende fornecer armas aos curdos. Alguém terá de as pagar. Parece que a crise não afectará nem a NATO nem os fabricantes de armas.

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